Seis meses se passaram, e o ritmo de Santa Teresa mudara drasticamente. Onde antes se ouviam os acordes de música clássica e o tilintar de taças de cristal, agora imperava o som rítmico das betoneiras e o diálogo constante dos operários. Esqueletos de aço subiam em direção às nuvens, delineando o que seria o complexo hospitalar mais avançado da América Latina.
O Hospital de Trauma Clarice Thorne não era apenas um prédio de vidro e aço; era o organismo vivo de Claire, seu manifesto contra a dor. Ela passava as tardes no canteiro de obras, muitas vezes ignorando as reuniões na Thorne Capital para discutir a inclinação das rampas de acesso ou a pressão do oxigênio nas UTIs.
— O heliponto passou na inspeção final, Claire — anunciou Arthur, aproximando-se com dois copos de café térmicos. Ele a encontrou no que seria o átrio principal, uma área vasta que seria inundada por luz natural. — Em menos de um ano, o Rio de Janeiro terá um lugar onde as pessoas não serão apenas números, mas