Enquanto Helena Valente aprendia o peso da solidão nos corredores frios da Misericórdia, Claire e Arthur seguiam para um encontro que vinha sendo orquestrado há meses. O local era uma pequena casa de pescadores em Angra dos Reis, longe dos iates de luxo e das festas de gala.
— O nome dele é Sebastião — disse Arthur, enquanto o carro sacolejava pela estrada de terra. — Ele foi o primeiro a chegar à ilha naquela noite, antes mesmo do helicóptero oficial. Ele nunca falou com a imprensa porque foi ameaçado pelos seguranças do seu pai na época. Mas ele guardou algo.
Sentado em uma cadeira de balanço na varanda, um homem de pele curtida pelo sol e mãos grossas esperava por eles. Sebastião não se impressionou com o terno de Arthur ou com a aura de poder de Claire. Ele apenas olhou para as mãos dela.
— Eu lembro de você, moça — disse o velho, a voz rouca como o mar em ressaca. — Eu vi quando você arrastou aquele rapaz pela areia. Você parecia um anjo coberto de óleo e sangue.
Claire senti