O silêncio na mansão de Santa Teresa tinha uma textura diferente agora. Não era mais o silêncio opressor da indiferença dos Valente, mas o vácuo deixado por um furacão que levara tudo o que não era sólido. Claire Thorne atravessou o hall de entrada, o som de seus saltos sobre o mármore ecoando como batidas de um metrônomo marcando o fim de uma era.
Arthur ficara no carro, respeitando o desejo dela de enfrentar aquele mausoléu sozinha. Claire caminhou até a sala principal. As paredes exibiam marcas claras onde quadros caros haviam sido retirados às pressas. O cheiro de cera e poeira misturava-se ao odor metálico da derrota.
Ela subiu as escadas em direção ao que um dia fora o escritório de sua mãe. Dona Helena sempre fora a guardiã das aparências, a mulher que polia as mentiras do marido até que elas brilhassem como verdades. Sobre a escrivaninha de jacarandá, Claire encontrou um único objeto esquecido na pressa do despejo: um pequeno diário de capa de couro azul, escondido em um fun