O dia seguinte ao leilão nasceu com uma claridade lavada, como se a tempestade emocional da noite anterior tivesse finalmente limpado a atmosfera da cidade. Na mansão de Santa Teresa, o silêncio era interrompido apenas pelo som seco de caixas de papelão sendo fechadas com fita adesiva. O Sr. Valente, antes o senhor absoluto daquelas paredes de mármore, agora vestia um terno amassado e carregava uma única mala de couro descascado.
Ele parou no topo da escadaria e olhou para o lustre de cristal que Clarice tanto admirava quando criança. Cada brilho daquela peça parecia agora um dardo de culpa. Dona Helena estava sentada em um degrau, os olhos inchados. Ela não tinha mais os criados para servirem seu café, nem o status para esconder sua miséria.
— Foi por sua causa — Helena sussurrou para o marido, a voz carregada de veneno. — Você nos convenceu de que ela era o elo fraco. Você nos fez acreditar na Beatriz porque queria o dinheiro dos Albuquerque. E agora, olhe para nós. Estamos na sar