Mundo de ficçãoIniciar sessãoO quarto do Hotel Central cheirava a mofo e a desespero. Vitor Albuquerque, o homem que outrora figurava nas listas dos solteiros mais cobiçados do país, agora fitava o teto manchado de infiltrações, segurando um copo de plástico com uísque barato. O ar-condicionado barulhento parecia repetir, num ritmo metálico, o nome que ele tentara apagar da memória: Clarice, Clarice, Clarice.
Ele esticou o braço para o telefone de cabeceira e discou, pela décima vez naquela manhã, para o seu corretor de valores.— Atende, droga... — resmungou, com a voz embargada.— Alô, Vitor? — A voz do outro lado era apressada e nervosa. — Eu já te disse, não há nada que eu possa fazer.— Como não há nada? Eu ordenei a venda das minhas ações da mineradora e do setor imobiliário! São quase dez milhões de reais, Mário. Eu preciso desse dinheiro para ontem!— Vitor, escuta bem: as tuas contas foram bloqueadas por uma liminar judicial de urgência. O processo foi movido pela Thorne Capital. El






