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Capitulo 4: Dois Nomes, um Destino

— Que situação inesperada — respondeu Elyssia com um sorriso polido, embora não pudesse deixar de lado a frivolidade em seu modo de fala.

Elyssia voltou a se sentar, e Rowan ocupou o assento ao lado dela, fazendo-o com naturalidade.

— Oh! Vocês já se conhecem? Como foi que isso aconteceu? — indagou o Imperador, voltando-se para ambos com visível interesse.

— O príncipe me perseguiu esta manhã nas ruas da capital — respondeu Elyssia, com um sorriso descontraído que disfarçava o desconforto de estar ao lado dele, enquanto os demais à mesa trocavam olhares de espanto.

Apenas Rowan permaneceu com um sorriso, como se as lembranças do que ocorreu, somado ao fato de estarem ali juntos, lhe trouxessem alguma diversão.

— A perseguiu? De que maneira? — perguntou o Imperador, agora com o semblante tomado por uma sombra de confusão e preocupação.

— Foi apenas um pequeno mal-entendido nas ruas comerciais durante o festival, que já foi devidamente resolvido — interveio Rowan, com seu tom suave, como quem não dava muita importância ao que ficou no passado.

— Que mal-entendido seria esse? — insistiu Ragnar, inclinando-se levemente em sua cadeira.

— Fui confundida com um ladrão que roubou um comerciante. Por pouco Vossa Majestade não precisou visitar-me na prisão imperial — declarou Elyssia, soltando um riso leve, quase brincalhão, como se não houvesse gravidade na situação.

A fala inesperada provocou um breve silêncio. O imperador, visivelmente constrangido, desviou o olhar por um instante, mostrando-se desapontado.

— Parece que a senhorita ficou ressentida com o ocorrido. Devo apresentar minhas desculpas de maneira apropriada? Talvez me ajoelhar, rogando pelo vosso perdão? — interveio o príncipe com voz leve, deixando transparecer uma falsa cortesia.

“— Oh, que homem desagradável” — pensou Elyssia, reprimindo o impulso de revirar os olhos.

O orgulho dele foi tão profundamente ferido por sua pequena provocação a ponto de reagir agora daquela forma?

— Não se preocupe, Vossa Alteza. Suas desculpas não são necessárias. Como você disse, a questão já foi resolvida. Não restou mágoa, raiva, nada além de uma lembrança que, com o tempo, também desaparecerá ou se transformará em uma história divertida — replicou ela, mantendo a postura serena, desejando apaziguar os ânimos.

— Peço desculpas por você ter sido recebida dessa forma, Elyssia — disse o imperador, tentando recuperar a compostura.

— Não se preocupe. Eu também tive minha parcela de culpa nesse incidente, e não culpo inteiramente o príncipe… Vossa majestade deve estar muito orgulhoso dele; é um homem de grande benevolência e habilidades notáveis. Certamente, o império estará em boas mãos no futuro — respondeu Elyssia com sutileza, desviando habilmente o foco da conversa para poupar o imperador de qualquer embaraço.

Rowan a olhou com desconfiança, pensando que ela era muito boa para bajular as pessoas.

— Não há como negar — retrucou Ragnar com um sorriso desconcertado, claramente lisonjeado com o elogio.

— Rowan — Merida, que até então se manteve em silêncio, com os olhos atentos à troca de palavras, chamou pelo príncipe —, poderia me dar aulas de equitação?

— Amanhã será meu dia de folga, então poderei ajudá-la — respondeu, seu semblante se tornando acolhedor ao olhar para ela, embora a frieza em seu tom anterior ainda pairasse no ar.

— Oh, a senhorita Elyssia poderia acompanhá-los também. Ouvi dizer que ela é a melhor em montaria em sua família — interveio o imperador, com um entusiasmo jovial, tentando esquecer a tensão anterior.

Era visível que sua intenção era aproximar Rowan e Elyssia para que o primeiro encontro desagradável de ambos caísse no esquecimento.

— Lisonjeia-me, Vossa Majestade. Deve ter ouvido um pequeno exagero por parte de meu pai — respondeu Elyssia, disfarçando a modéstia com um leve rubor nas faces.

— Hahaha, vosso pai não economiza em elogios quando se trata da senhorita.

— Se a senhorita Elyssia é tão habilidosa, creio que pouco se interessará em assistir a ambos, uma vez que será apenas uma aula de equitação — comentou a imperatriz, com um sorriso comedido, cuja doçura não enganou Elyssia. — Como visitante, acredito que ela preferirá ocupar-se com outros prazeres em vez de assistir a Merida aprendendo a cavalgar.

— Concordo, seria muito entediante para a senhorita — acrescentou Merida.

— Bem, ela terá tempo de sobra para explorar o império e o palácio. A estadia da senhorita aqui será longa — anunciou o imperador, com um olhar fixo em Elyssia, como quem desejava revelar algo mais.

Isso chamou a atenção dela, que se ajeitou na cadeira, a expectativa de ouvi-lo transparecendo em seu olhar, mas, em vez de Ragnar dizer algo, a voz feminina do outro lado da mesa chamou sua atenção.

— De qual família e reino a senhorita vem? — indagou Merida, voltando-se diretamente para Elyssia com genuína curiosidade.

— Elyssia pertence à família Velanor, filha de um velho amigo meu — respondeu prontamente o imperador, tomando para si a responsabilidade de apresentá-la.

— Família Velanor? Nunca ouvi falar — murmurou Merida, franzindo levemente o cenho.

— Trata-se de uma antiga e prestigiada família ducal do reino de Azuma — esclareceu o príncipe.

— Sim, eles têm sido grandes apoiadores do nosso império em questões tecnológicas — acrescentou o imperador.

— Então ela está aqui a negócios? — perguntou a imperatriz, entrelaçando os dedos com elegância, mas com os olhos atentos à jovem.

— Não exatamente. Ela veio para conhecer seu futuro esposo.

O silêncio que se seguiu foi carregado, como se todas as vozes tivessem sido arrancadas pela revelação inesperada. Os olhares de ambas voltaram-se instintivamente ao imperador, perplexos. Elyssia, por sua vez, manteve a postura, afinal, ela não podia mostrar surpresa com a notícia, embora uma súbita rigidez em seus ombros denunciasse o impacto da fala do imperador.

Rowan manteve-se imóvel. Seu semblante permaneceu inalterado, como se a revelação não o surpreendesse. A expressão serena ocultava qualquer pensamento que pudesse estar lhe atravessando a mente.

— Apresento a vocês a senhorita Elyssia Velanor, a noiva do príncipe Rowan.

— V-vossa Majestade — começou Elyssia, a voz vacilante.

— Peço que me desculpe por fazer tal anúncio desta forma, princesa — Ragnar a olhou com um sorriso amigável — mas, por ora, esta é uma informação absolutamente sigilosa e que não deve sair das paredes deste palácio, então não havia melhor momento para informá-los.

Lançando um olhar de soslaio, Elyssia notou a expressão inalterada do príncipe, cuja apatia diante da revelação era quase ofensiva. A imperatriz e sua sobrinha, por outro lado, mal disfarçavam o desagrado com a situação.

Dividida entre a obrigação e a inquietação, Elyssia sentiu o peso da situação recair sobre seus ombros. Jamais imaginou que esse seria o motivo dado pelo imperador para justificar sua vinda, mas, de algum modo, tudo parecia fazer sentido com os comentários de Amélia enquanto a preparava para o jantar.

— Apenas achei muito repentino, já que sequer tive a oportunidade de conversar adequadamente com o príncipe — respondeu ela, com dignidade e um domínio admirável de suas emoções. — Não se preocupe, estou de acordo com qualquer decisão que Vossa Majestade tomar.

— Peço desculpa mais uma vez, as coisas acabaram acontecendo muito rapidamente.

Elyssia apenas assentiu com um leve movimento de cabeça, um sorriso lindamente desenhado em seus lábios.

— O que você está dizendo? — indagou a imperatriz, visivelmente indignada.

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