Mundo ficciónIniciar sesiónAo chegar aos portões do palácio imperial, Elyssia foi recebida por Ragnar e alguns empregados, que a cumprimentaram com reverência.
Ela adiantou-se e, com graça, curvou-se respeitosamente diante do imperador. — Saúdo Vossa Majestade, Imperador Ragnar Kaelion — disse com a voz firme e serena, enquanto realizava uma reverência. Seu escolta imitou o gesto, mantendo-se com dignidade atrás dela. — Seja bem-vinda, Elyssia, e você também, Sir Orlane. Como foi a vossa viagem? — o imperador indagou com amistosidade, indo em sua direção. — Por favor, vamos entrar e conversar com mais tranquilidade em meu escritório. Elyssia assentiu, então o seguiu pelos vastos e belos corredores do palácio. Assim que entraram no escritório, com um leve aceno, Ragnar indicou uma mesa disposta à lateral, onde aguardavam delicadas porcelanas, chás aromáticos e doces preparados pela confeitaria imperial. — Por favor, sintam-se à vontade. — Com vossa licença, Majestade — respondeu Elyssia, tomando assento com elegância. Elliot manteve-se de pé atrás dela, atento e discreto. — Como foi a viagem até estas terras? — A viagem foi um tanto longa e cansativa, mas as belezas do vosso império rapidamente restauraram minhas energias. Não resisti e já me permiti conhecer um pouco da capital. — Verdade? Foi do seu agrado? — Com toda certeza, Majestade. Mal posso esperar para explorar ainda mais as maravilhas que este lugar tem a oferecer. O imperador sorriu, visivelmente contente. — Sinto-me lisonjeado ao ouvir suas amáveis palavras. Tenho estado em contato com seu pai e estou ciente das circunstâncias que a trouxeram até Erendys. — Sim, lamento profundamente por qualquer inconveniência, especialmente por ser algo de última hora. Contudo, meu pai foi insistente para que eu viesse. — Não há motivo para lamentações, é uma honra tê-la em Erendys. Fique o tempo que julgar necessário. — Estou muito grata, Vossa Majestade — agradeceu ela com doçura. O tom do imperador tornou-se mais reservado. — Seu pai mencionou que a sua estada aqui seria mantida em sigilo para evitar que tal informação chegue aos ouvidos das pessoas erradas. Por isso, fiquei responsável por encontrar um motivo plausível para justificar a vossa presença aqui. Espero que o que preparei não te cause incômodo, tudo foi pensado com o objetivo de garantir sua segurança e que sua estadia seja a mais confortável e digna possível. — Não se preocupe com isso, Majestade. Confio que encontrou a melhor solução para manter minha presença discreta e livre de mal-entendidos — ela respondeu com polidez, mas uma leve inquietação surgiu em sua voz, ansiosa por saber qual disfarce lhe seria atribuído. O imperador esboçou um gesto compreensivo, balançando a cabeça. — Bem, a princesa deve estar exausta pela longa jornada. Conversaremos com mais calma durante o jantar, ocasião em que darei todos os detalhes. Preparei um dos aposentos do palácio, digno de sua nobreza, e designei uma dama de companhia para ajudá-la em todas as suas necessidades durante a sua estadia em Erendys. Qualquer desejo que tiver, basta informá-la, e providenciaremos. — Sou imensamente grata, Vossa Majestade — disse Elyssia, levantando-se e curvando-se uma vez mais. Ainda que as palavras do imperador a tranquilizassem, ele não pôde evitar certo desapontamento por não ter saciado a sua curiosidade. Ao deixar a sala, encontrou à porta uma jovem de beleza delicada e expressão amável. Era sua dama de companhia, escolhida para acompanhá-la durante sua permanência no palácio. Após as devidas apresentações, ela se identificou como Amélia Froyer e guiou Elyssia pelos corredores até os aposentos preparados especialmente para ela. O quarto era espaçoso e elegantemente mobiliado, exalando um perfume leve de lavanda. Amélia, com dedicação, cuidou de cada detalhe, inclusive da acomodação destinada ao escolta. Após um banho relaxante, que dissipou os vestígios do cansaço da viagem, e algumas horas de repouso, Elyssia foi surpreendida por Amélia, que retornou para ajudá-la a se arrumar para o jantar. — Se me permite dizer, a senhorita é de uma beleza inigualável. Estou certa de que o príncipe herdeiro ficará muito encantado — comentou enquanto arrumava o cabelo de Elyssia. — O Príncipe? Ele estará presente no jantar? — a princesa indagou, levemente surpresa, enquanto uma curiosidade se desenhava em seu semblante. — Sim, estará, e é por isso que a senhorita deverá se apresentar ainda mais radiante do que de costume — respondeu um sorriso travesso nos lábios, como se guardasse um segredo agradável. Elyssia, embora mantivesse a compostura, estreitou os olhos, intrigada com a súbita ênfase dada à sua aparência e ao príncipe. “— Por que devo me preocupar com o príncipe? Será que ele é daqueles excêntricos que só suportam estar em companhia de pessoas impecavelmente apresentadas? Deve ser um sujeito estranho.” — pensou consigo, franzindo levemente o cenho. _________________________ Após longos minutos de arranjos e retoques meticulosos, para o alívio da princesa, Amélia enfim deu por concluída a tarefa de arrumá-la. Elyssia, contudo, não conseguia compreender o motivo de tanta dedicação para um simples jantar. Ainda que fosse uma ocasião imperial, com a presença do próprio imperador, parecia-lhe muito exagerado o cuidado com que sua aparência foi moldada. Guiada por Amélia e acompanhada de seu escolta, que permaneceu à porta com postura firme, Elyssia adentrou o salão de jantar. O ambiente, iluminado por candelabros de cristal, exalava um calor confortável e uma visão majestosa. Seus olhos percorreram o recinto com discrição até se fixarem nas figuras já presentes. À cabeceira, estava o Imperador, de postura ereta e expressão convidativa. À sua esquerda, sentava-se uma mulher de porte elegante, sem dúvidas era a Imperatriz. Ao lado dela, uma jovem de traços delicados e olhar curioso a observava; Elyssia não a reconheceu, pois sabia que o Imperador possuía apenas um filho homem — e este ainda não se encontrava presente. — Saúdo Vossas Majestades, o Imperador e a Imperatriz — cumprimentou Elyssia, com voz firme e respeito nos gestos, inclinando-se em uma reverência profunda, digna da etiqueta que lhe foi ensinada. — Sente-se aqui, senhorita Elyssia — convidou o Imperador, estendendo o braço na direção de uma cadeira à sua direita. — Esta é a Imperatriz, Cassandra Morvane, como já deve saber, e ao lado dela está Merida Morvane, nossa sobrinha. As duas a cumprimentaram com gentileza e polidez, trocando sorrisos discretos. Elyssia ajeitou-se no assento, mantendo a compostura, embora uma vaga inquietação lhe percorresse o peito. — Agora, falta apenas Ro... — O Imperador se interrompeu ao ouvir o estalar das grandes portas abrindo-se. — Oh, chegou bem na hora. — Vossa Majestade, peço perdão pelo atraso — disse o homem que adentrava, com a voz firme e o semblante controlado, curvando-se respeitosamente assim que cruzou a soleira. No instante em que ele ergueu a cabeça, seus olhos se encontraram com os de Elyssia, que, sem poder evitar, foi atingida pela surpresa. Por mais que tivesse uma aura diferente, os traços inconfundíveis do homem, que agora se apresentava com toda a imponência de seu título de príncipe herdeiro, não deixavam margem para dúvidas: era o mesmo com quem ele cruzou naquela manhã na capital, o comandante que a atacou. O príncipe, por sua vez, não mostrou surpresa ao vê-la, uma vez que avistou o escolta dela de guarda na porta. Assim que a viu, ele arqueou levemente uma sobrancelha e esboçou um leve sorriso, quase zombeteiro, divertindo-se com o capricho do destino. — O que importa é que está aqui. Aproxime-se e sente-se junto a nossa ilustre convidada — disse o Imperador, indicando seu assento. — Este é meu filho e herdeiro, Rowan Kaelion — anunciou o Imperador com orgulho, enquanto o príncipe se dirigia ao seu assento. Com passos firmes, o príncipe aproximou-se da mesa, sem deixar de olhar a convidada, observando os detalhes da sua aparência, bem diferente do visual que ela tinha durante o encontro anterior que tiveram. Ela já se mostrou muito bela sem estar produzida, mas agora sua beleza estava ainda mais em evidência, até Rowan tinha isso como um fato. Elyssia, como mandava a etiqueta, levantou-se do seu assento e fez uma leve reverência para cumprimentá-lo. — Saudações, Alteza. Rowan deteve-se diante dela com um sorriso travesso e, com elegância, estendeu-lhe a mão. Elyssia, acompanhando o gesto, ofereceu a sua mão com suavidade. O príncipe, no entanto, não se inclinou; ele manteve sua postura ereta e altiva, levando a mão de Elyssia até seus lábios, pousando-os com delicadeza sobre o dorso da sua mão enquanto não tirava os olhos dela. — Parece que nossos caminhos voltaram a se cruzar, senhorita — comentou Rowan, com voz carregada de intenção, deixando transparecer uma sutil provocação.






