O dia clareava lentamente, mas a tensão dentro do asilo parecia se acumular com a mesma intensidade de uma tempestade prestes a estourar. Eu estava no quarto dos medicamentos, sozinha, tentando organizar caixas e frascos com uma concentração que não existia. Minhas mãos tremiam, não por nervosismo, mas por tudo que acontecia por dentro — aquela mistura incerta de raiva, desejo e confusão que não me deixava em paz.
Foi quando ele entrou.
Otávio apareceu sem aviso, fechando a porta atrás de si co