412. Os ecos da culpa
Gabrielle Goldman
Braços fortes, firmes, me envolvendo por trás em um abraço que não tinha nada de acusatório, nada de venenoso. Um abraço quente demais para ser aquela outra versão de mim. Quente demais para ser fruto da minha culpa, do meu ódio ou da minha autodestruição. Era real. Tinha peso, tinha cheiro, tinha presença.
— Acorda, dorminhoca… — ouvi aquele murmúrio grave junto ao meu ouvido, baixo, quase preguiçoso — você está perdendo a vista.
Meu corpo reagiu antes da minha mente. Inspirei fundo, como quem retorna de um lugar sufocante, e então abri os olhos.
Graças a Deus.
A luz me atingiu primeiro, suave, dourada, nada parecida com o vazio hostil do sonho. O ar parecia diferente, mais leve, como se não estivesse carregado de acusações. Meu coração ainda batia acelerado, minhas mãos tremiam levemente, mas eu estava ali. Presente. Inteira o suficiente para saber que havia despertado.
E, pela primeira vez desde que tudo começou a ruir, eu soube com a