411. Eu era meu pior pesadelo
Gabrielle Goldman
Eu não queria pensar no assunto. Porque pensar significava pensar nele. Significava admitir que, por mais que eu odiasse reconhecer, foi ele quem colocou tudo nas minhas mãos. Foi Gadreel quem orquestrou, manipulou, pressionou e ordenou que cada um dos envolvidos assinasse os documentos que devolviam a mim as ações das quais eram guardiões enquanto eu não atingisse a idade exigida no testamento.
Eu me senti suja.
Mas não como alguém que se vendeu apenas por dinheiro. Até mesmo as prostitutas, pensei com amargura, têm um senso de justiça — cobram o valor que consideram justo por seus corpos, estabelecem limites, escolhem quando entram e quando saem da transação.
Eu não vendi meu corpo. Eu entreguei minha alma.
E o pior de tudo era saber que eu não queria o maldito pagamento. Não queria o poder. Não queria as ações. Não queria a herança. Nada daquilo valia o preço que foi cobrado.
Não valeu a pena.
Ele podia ficar com tudo. Eu não me