O “padrão” ganhou forma antes de ganhar nome.
Não veio como ataque direto, nem como sanção explícita. Veio como comunicado interno, desses que parecem administrativos demais para causar alarme — e exatamente por isso causam.
Às oito da manhã, Luna recebeu a notificação oficial.
Curta. Objetiva. Assinada por um setor que não se apresentava com rostos, apenas com cargos.
“Diante da recorrência de comportamentos interpretáveis como desalinhamento processual, inicia-se protocolo de monitoramento preventivo.”
Ela leu em silêncio, sentada à mesa da cozinha, o café já frio à frente.
Monitoramento preventivo.
Não havia punição. Não havia acusação. Mas havia vigilância declarada. O sistema finalmente assumia que estava observando — e fazia questão de que ela soubesse disso.
Luna apoiou os cotovelos na mesa e respirou fundo.
O corpo reagiu antes da mente formular qualquer estratégia. Um aperto no peito, não de pânico, mas de prontidão. Os músculos das costas se contraíram como se esperassem imp