O centésimo capítulo não começou com um acontecimento.
Começou com uma percepção.
Luna acordou com a sensação clara de que algo havia mudado — não fora da casa, não nas manchetes, não nos telefonemas — mas no campo invisível onde as decisões deixam de ser livres antes mesmo de serem tomadas.
Ela permaneceu alguns minutos deitada, olhando o teto, escutando os sons da mansão despertando. Passos contidos. Portas abertas com cuidado. Vozes baixas demais para serem naturais.
Não era medo.
Era vigilância.
O tipo de vigilância que se instala quando ninguém mais acredita em coincidências.
Quando desceu para o escritório, os relatórios automáticos já estavam organizados. Não havia alertas vermelhos. Nenhum número gritava crise. Tudo estava, tecnicamente, sob controle.
E foi exatamente isso que a alarmou.
Os gráficos vinham acompanhados de notas comparativas. Médias do setor. Tendências “esperadas”. Comportamentos “ideais”. Pequenos desvios destacados com sutileza cirúrgica.
Não diziam você est