Luna Santiago entendeu, ainda antes do amanhecer, que o jogo havia mudado de nível.
Não houve novos memorandos, nem reuniões inesperadas. O perigo agora vinha do oposto: da ausência total de movimentos visíveis. Quando o sistema Valmont ficava silencioso demais, significava que decisões já tinham sido tomadas longe das mesas oficiais.
Ela estava no jardim interno quando Adrian se aproximou.
— Magnus antecipou a votação — disse ele, sem rodeios.
Luna não se virou de imediato.
— Sobre mim?
— Sobre você e sobre Elias — respondeu Adrian. — Ele quer transformar a sua presença aqui no símbolo de uma instabilidade maior.
Ela respirou fundo.
— Então agora não sou apenas o problema. Sou o pretexto.
Adrian assentiu.
— Exatamente.
Dentro da mansão, Elias aguardava no escritório. O semblante estava fechado, mas controlado. Luna reconheceu aquele olhar: o mesmo de quando alguém já aceitou o conflito, mesmo sem gostar dele.
— Eles querem me forçar a escolher — disse ele. — Ou preservo o cargo, ou p