A primeira a chegar não foi quem Isabella esperava.
Chamava-se Clara Mendonça.
Não era um nome conhecido do público. Nunca aparecera em capas de revista nem em painéis de conferência. Mas dentro do setor, seu currículo era respeitado — vinte anos de contratos blindados, negociações internacionais, cláusulas que nunca falhavam.
Clara chegou pontualmente às nove. Vestia preto, sem adornos. O tipo de mulher que aprendera cedo que visibilidade demais custa caro.
Isabella pediu que Marina não participasse da reunião.
Queria ouvir sozinha.
— Obrigada por vir — Isabella disse, indicando a cadeira à sua frente.
Clara sentou-se sem hesitar.
— Eu demorei demais — respondeu. — Mas não podia mais fingir que não vi nada.
Isabella manteve o silêncio. Aprendera que, naquele ponto, quem falava primeiro perdia profundidade.
Clara respirou fundo.
— Eu li a matéria. Não porque falava de você — disse — mas porque falava como você. Aquilo não era ataque. Era abertura.
Isabella ergueu o olhar.
— Abertura c