A notícia não saiu como manchete. Ainda não.
Mas se espalhou do jeito mais perigoso possível: em sussurros certos, nos corredores certos, pelas bocas que realmente importavam. Às onze da manhã, três portais jurídicos especializados já comentavam a decisão liminar. Às duas da tarde, dois colunistas econômicos haviam feito “notas curtas” — aquele tipo de texto que parece neutro, mas planta dúvidas profundas.
Isabella sabia reconhecer o início de um terremoto.
Estava em seu escritório quando Marina entrou sem bater, o tablet na mão, o rosto tenso.
— Estão ligando — disse. — Gente que nunca ligou antes.
— Quem? — Isabella perguntou, sem levantar os olhos do e-mail que relia.
— Investidores. Ex-parceiros. Um jornalista da Revista Setor. E… — Marina hesitou — Helena.
Isabella fechou o notebook com calma.
— Não atenda Helena — disse. — Ainda.
Marina assentiu.
— E a imprensa?
— Silêncio — Isabella respondeu. — Por enquanto, silêncio absoluto.
Marina a observou por um instante antes de sair. T