Capítulo 68 — O Eco do Que Foi Dito

A notícia não saiu como manchete. Ainda não.

Mas se espalhou do jeito mais perigoso possível: em sussurros certos, nos corredores certos, pelas bocas que realmente importavam. Às onze da manhã, três portais jurídicos especializados já comentavam a decisão liminar. Às duas da tarde, dois colunistas econômicos haviam feito “notas curtas” — aquele tipo de texto que parece neutro, mas planta dúvidas profundas.

Isabella sabia reconhecer o início de um terremoto.

Estava em seu escritório quando Marina entrou sem bater, o tablet na mão, o rosto tenso.

— Estão ligando — disse. — Gente que nunca ligou antes.

— Quem? — Isabella perguntou, sem levantar os olhos do e-mail que relia.

— Investidores. Ex-parceiros. Um jornalista da Revista Setor. E… — Marina hesitou — Helena.

Isabella fechou o notebook com calma.

— Não atenda Helena — disse. — Ainda.

Marina assentiu.

— E a imprensa?

— Silêncio — Isabella respondeu. — Por enquanto, silêncio absoluto.

Marina a observou por um instante antes de sair. T
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