A sala do conselho não tinha janelas.
Era um detalhe arquitetônico antigo, pensado para evitar distrações externas. Mas Isabella sempre achara que o verdadeiro motivo era outro: ali dentro, ninguém precisava olhar para fora para lembrar quem mandava.
Quando entrou, as conversas cessaram em sequência calculada.
Oito cadeiras ocupadas. Uma vazia.
A dela.
Isabella caminhou até o lugar sem apressar o passo. Cumprimentou apenas com um aceno breve, sem sorrisos, sem pedidos silenciosos de aceitação. Sentou-se e cruzou as mãos sobre a mesa de madeira escura.
— Obrigada por virem — disse o presidente do conselho, Arthur Meirelles, ajeitando os óculos. — Acredito que todos saibam por que estamos aqui.
— Nem todos — Isabella respondeu, olhando diretamente para ele. — Sugiro que seja explícito.
Um leve desconforto percorreu a mesa.
Arthur pigarreou.
— Houve… repercussões indesejadas após sua última aparição pública.
— Indesejadas para quem? — Isabella perguntou.
Antes que Arthur respondesse, Edu