O cerco começou sem aviso.
Nenhum comunicado oficial. Nenhuma ordem judicial. Nenhuma sirene.
Começou com convites.
Convites para reuniões “informais”. Sugestões de alinhamento. Pedidos de esclarecimento que não pediam respostas — pediam submissão.
Luna recebeu o primeiro ainda pela manhã.
Um e-mail cordial, quase simpático, convidando-a para um encontro reservado com representantes institucionais “interessados em preservar a estabilidade”.
Ela leu apenas uma vez.
E apagou.
— Você não vai? — Adrian perguntou, quando soube.
— Não enquanto fingirem que isso é diálogo — respondeu. — Diálogo pressupõe risco dos dois lados.
O telefone tocava mais do que o normal. Mensagens de antigos aliados vinham carregadas de frases vagas:
“Espero que tudo se resolva.”
“Momentos delicados exigem cautela.”
“Talvez seja melhor recuar um pouco.”
Recuar para onde?
Para o lugar onde a verdade se dilui?
Luna não respondeu.
O silêncio dela começou a incomodar.
Na imprensa, o tom mudava sutilmente. Já não se fa