Capítulo 101 — O Cerco Não Precisa de Muros

O cerco começou sem aviso.

Nenhum comunicado oficial. Nenhuma ordem judicial. Nenhuma sirene.

Começou com convites.

Convites para reuniões “informais”. Sugestões de alinhamento. Pedidos de esclarecimento que não pediam respostas — pediam submissão.

Luna recebeu o primeiro ainda pela manhã.

Um e-mail cordial, quase simpático, convidando-a para um encontro reservado com representantes institucionais “interessados em preservar a estabilidade”.

Ela leu apenas uma vez.

E apagou.

— Você não vai? — Adrian perguntou, quando soube.

— Não enquanto fingirem que isso é diálogo — respondeu. — Diálogo pressupõe risco dos dois lados.

O telefone tocava mais do que o normal. Mensagens de antigos aliados vinham carregadas de frases vagas:

“Espero que tudo se resolva.”

“Momentos delicados exigem cautela.”

“Talvez seja melhor recuar um pouco.”

Recuar para onde?

Para o lugar onde a verdade se dilui?

Luna não respondeu.

O silêncio dela começou a incomodar.

Na imprensa, o tom mudava sutilmente. Já não se fa
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