Lorena Azevedo
A água quente caía nas minhas costas,
mas o calor de verdade vinha de outro lugar.
Do meu corpo.
Do meu peito.
Daquela lembrança maldita e deliciosa da noite anterior.
Gemendo baixo.
Dedo entre as pernas.
Celular tremendo nas mãos.
Rafael Ventura do outro lado da tela,
gozando por mim.
Por minha causa.
Por minha boca.
Soltei uma risada.
Alta.
— Meu Deus...
o que foi aquilo?
Apoiei a testa no azulejo.
Fechei os olhos.
A mão dele batendo no próprio pau.
A voz rouca.