Rafael Ventura
O dia ainda não tinha vencido a escuridão quando meus olhos se abriram. O quarto estava imerso em um silêncio profundo, quebrado apenas pela respiração rítmica e suave da Lorena ao meu lado. Por um momento, fiquei apenas observando o contorno do seu rosto na penumbra. O cheiro dela, uma mistura de lavanda e o perfume suave do sabonete, era a única coisa que mantinha a minha mente sã. A um dia atrás ela era uma lembrança dolorosa em um galpão imundo; hoje, ela era a minha realidad