Lorena Azevedo
O grito ficou preso na minha garganta, mas o meu corpo reagiu como se eu ainda estivesse lá. No sonho, o galpão era infinito. As paredes de zinco se fechavam sobre mim e as mãos do capanga eram como garras de gelo que prendiam meus ombros. Eu sentia o cheiro de mofo e óleo diesel, ouvia a risada estridente da Melissa ecoando em cada viga enferrujada. Eu tentava correr, mas meu pé estava preso em uma armadilha de ferro e, quanto mais eu puxava, mais o metal cortava a minha pele.