Capítulo 47
Clarisse Montuane
Eu não dormi naquela noite.
As luzes do corredor se infiltravam pelas grades da porta, recortando o quarto em linhas retas que me deixavam nervosa. Eu contava cada linha, cada feixe de luz, imaginando que se eu conseguisse memorizar tudo, conseguiria sair dali. Conseguiria provar que estavam todos errados. Que eu sou a vítima. Que tiraram meu filho.
Meu Tomás.
Meu bebê.
Meu coração apertou como se uma mão invisível estivesse segurando e torcendo devagar.
Eu não pod