Mundo de ficçãoIniciar sessãoNOVA YORK
Tiana — Quanto é o aluguel? – Perguntei apavorada pelo absurdo que estão cobrando por uma kitnet. — São 1.800,00 dólares, mais um seguro fiador, já que não conhece ninguém na cidade. Total de 2.200,00 dólares mensais. A corretora de imóveis me olha de cima para baixo como se estivesse perdendo tempo comigo. Mas também, com a cara que eu fiz, ela já sabe a minha resposta é: Claro que não! — Podemos ver outro lugar? Talvez mais afastado? Pois eu vim de Connecticut e tenho que arrumar algo logo. — Esse é o mais barato e já mobiliado, não temos tantos imóveis disponíveis nesta área com preços menores, por conta da abertura da nova empresa na região. Parece que vieram muitas pessoas de fora da cidade. — Pois é, eu sou uma delas! — Bom, se quiser ficar com a kitnet, precisa me ligar até o final da tarde, senão amanhã a essa hora, estará alugado! Pego o cartão dela e a vejo ir embora. Eu entrei nos sites antes de vir, vi os imóveis e não estavam nesse preço, e se o que ela disse for verdade, a filial Carmichael com certeza valorizou a área e esse apê seria ideal por estar há 15 minutos da empresa, a pé. Me sinto frustrada por já estar anoitecendo e eu terei que voltar para casa sem resolver a parte mais importante. Tento chamar o Uber para a rodoviária, porque não poderei gastar com hotel caro nessa cidade, mas também terei que voltar novamente, porque preciso de um lugar para morar, então fico num dilema, eu fico ou vou embora? — Oi! Uma moça aproximadamente da minha idade, de cabelos chanel escuros, olhos claros e moletom preto me cumprimenta. — Oi! — Eu ouvi sem querer a sua conversa com a corretora, e acabei de passar o mesmo que você! — Ah é? E achou alguma coisa? — Apartamento sim, mas estou numa posição que, se eu alugar um apê sozinha, me faria passar fome! — É, sei bem como é, eu estava com tudo planejado, valores que cabiam no bolso e agora estou num mato sem cachorro. — Eu estou numa pensãozinha aqui ao lado, é bem agradável e acolhedora, talvez tenha uma vaga, se estiver interessada. Se pensar bem, acaba economizando mais que um aluguel. Muito mais! Torço o nariz quando penso em pensão. As que eu já fiquei na época de faculdade parecia um pulgueiro. Mas era isso ou trancar a faculdade, porque não consegui vaga no dormitório. — Obrigada pela ajuda, mas acho que vou me afastar um pouco do centro, amanhã retomo as buscas. — Está escurecendo, você poderia descansar e amanhã começa cedo e revigorada. Penso por uns instantes e ela tem razão, não custa nada ver a tal pensão. — Não se preocupe, não vou te sequestrar, seremos colegas de trabalho. — Você também vai trabalhar nas indústrias Carmichael? – Perguntei mais empolgada que o natural. — Sim, serei recepcionista, e você? — Secretária! — Muito legal! Vamos, a pensão é logo ali. Andamos poucos metros até um casarão antigo, resistindo no meio de tantos prédios novos, ele tem 3 andares e está bem conservado. Entramos por um portão de aço moldado, igual aqueles antigos, que mede no máximo 1 metro, tem um jardim na frente que é bem cuidado e tem uma varanda extensa e uma grande porta dupla de madeira. Ela entra pela porta, que faz barulho no sino pendurado, como se fosse a sua casa, e me surpreendo com a limpeza e organização do lugar, espero que seja assim os quartos. Tem um balcão de madeira maciça, quadros pendurados na parede e fotos antigas, provavelmente uma família que resistiu aqui ao longo dos tempos. Uma estante atrás do balcão tem um quadro com algumas chaves penduradas, alguns troféus e mais porta-retratos. Uma senhora aparentemente simpática chega e moça que não sei o nome me apresenta. — Oi senhora Agnes, acabei de encontrar uma gatinha perdida, será que temos uma vaga para ela? — Olha só que moça mais bonita, mas infelizmente não tenho mais vagas, Ingrid! — Mas e essas chaves! – Ingrid pergunta. — São reservados, só esperando os hóspedes chegarem! — Está tudo bem, Ingrid, eu agradeço pela sua intenção em ajudar, mas vou continuar procurando. — Espera aí, você tem duas camas de solteiro em seu quarto, se não se incomodar, pode dividir o quarto, não vou aumentar o valor. Manterei o café da manhã e jantar incluso. Olho para Ingrid e a mesma está com um sorriso tão grande, que consigo ver suas gengivas e sua pele em rosto esticada. — Colegas de quarto? – Ela pergunta me olhando ansiosa e não consigo evitar sorrir pela sua empolgação. — Se não for incomodo para você, eu aceitaria, até encontrar um bom apartamento. — De jeito nenhum, eu sou filha única, e nunca soube a emoção de dividir um quarto. — Bom, eu também sou filha única, então vamos descobrir juntas! Aliás me chamo Tiana Gonzalez! — Ingrid Wilson! — Eu sou Agnes, e aqui está a sua chave! Espero que goste da sua estadia aqui. Pela primeira vez eu respirei aliviada depois que decidi mudar de vida.






