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Viktor

Meu nome é Viktor Sokolov. Tenho vinte e cinco anos. Hoje sou o homem que assumiu o controle da organização que domina grande parte dos negócios ilegais de Moscou. Mas nem sempre foi assim.

Antes de tudo isso, eu era apenas um rapaz que cresceu sem nada.

Conheci Irina ainda na escola. Naquela época, eu não tinha sequer dinheiro para comprar comida no intervalo, e muitas vezes era ela quem pagava por mim. Mesmo assim, ela nunca me humilhou ou me fez sentir pequeno. Pelo contrário, sempre acreditou que eu poderia me tornar algo maior.

Irina sempre foi a única pessoa que realmente esteve ao meu lado.

Mas a vida dentro da minha casa nunca foi fácil. Meu pai era um homem violento, viciado e imprevisível. Todas as noites ele chegava bêbado, destruía tudo e batia na minha mãe.

Eu cresci assistindo aquilo em silêncio.

A raiva se acumulava dentro de mim, dia após dia.

Até a noite em que perdi o controle.

Entrei em casa e encontrei minha mãe novamente caída no chão depois de mais uma agressão. Meu pai estava alterado, rindo como se aquilo fosse um espetáculo.

Eu peguei a arma.

E atirei.

Aquele foi o momento em que minha vida mudou para sempre.

Depois disso, comecei a trabalhar para homens perigosos. Pequenos serviços no início. Transportes, vigilância, cobranças. Nada que chamasse muita atenção. Eu dizia a Irina que era apenas um trabalho para melhorar nossa vida.

Mas, no fundo, eu sabia a verdade.

Eu estava entrando em um caminho sem volta.

Mesmo assim, por muito tempo consegui manter duas vidas separadas.

O homem que Irina conhecia.

E o homem que o submundo estava transformando em algo completamente diferente.

Quando Irina descobriu que estava grávida, algo dentro de mim mudou. Pela primeira vez pensei em parar. Pensei em sair daquela vida antes que fosse tarde demais.

Mas as coisas nunca são tão simples.

Eu estava em um dos clubes controlados pela organização resolvendo alguns assuntos quando Lorena apareceu. Ela sempre se aproximava, sempre insinuava alguma coisa, mas eu costumava ignorar.

Naquela noite, porém, minha cabeça estava cheia demais.

Lorena entrou na sala sem pedir permissão.

Lorena:

— Posso entrar?

Viktor:

— Fale o que precisa daí mesmo. Hoje não estou com paciência.

Ela sorriu de um jeito provocador e começou a se aproximar lentamente.

Lorena:

— Você parece tenso. Talvez eu possa ajudar você a relaxar.

Viktor:

— Cuidado com o que diz.

Lorena deu mais alguns passos.

Lorena:

— Irina não pode cuidar de você agora… não é?

Meu corpo inteiro se enrijeceu.

Viktor:

— Não mencione o nome dela novamente.

Lorena apenas riu.

Lorena:

— Ninguém precisa saber.

Eu deveria ter mandado que ela saísse.

Deveria ter ido embora naquele momento.

Mas eu não fui.

Depois que tudo terminou, joguei dinheiro sobre a mesa e disse para ela desaparecer. Aquilo não significava nada para mim.

Era apenas um erro.

Um erro que eu pretendia esquecer.

Tomei um banho, me vesti e estava indo embora quando um dos homens que trabalhavam para mim me interceptou no corredor.

Homem:

— Viktor… Irina esteve aqui.

Naquele momento senti meu estômago afundar.

Viktor:

— O que você disse?

Homem:

— Ela saiu daqui chorando.

Por alguns segundos fiquei completamente imóvel.

Eu sabia exatamente o que aquilo significava.

Irina havia visto tudo.

Voltei para a sala, peguei uma dose de cocaína e tentei afastar a culpa que começava a me esmagar. Depois disso fui para casa.

O resto da noite é um borrão na minha memória.

Só me lembro dos gritos.

Da discussão.

E de Irina caída no chão.

Quando percebi o que havia feito, já estava carregando o corpo dela nos braços e correndo para o hospital.

Passei horas esperando por notícias.

A médica disse que Irina estava inconsciente e que poderia levar dias… talvez até semanas para despertar.

Voltei para casa destruído.

Eu matei meu próprio pai por fazer exatamente aquilo.

E agora eu havia feito o mesmo com a única mulher que sempre esteve ao meu lado.

Uma semana depois, Irina ainda não havia acordado.

Foi então que aconteceu o ataque.

Uma disputa interna dentro da organização terminou com a morte do antigo líder. Os homens da família me chamaram para uma reunião reservada.

Eles disseram que eu assumiria o comando.

Eu tentei recusar.

Mas na nossa vida não existe escolha.

Agora eu era o homem responsável por tudo.

E Irina não estava ali para ver.

Algumas horas depois, Lorena apareceu novamente.

Lorena:

— Então é verdade… você agora está no comando.

Viktor:

— Saia daqui.

Lorena ignorou minhas palavras e continuou caminhando pela sala.

Lorena:

— Irina ainda está no hospital. Pensei que talvez você quisesse companhia.

Naquele momento percebi algo que não queria admitir.

Eu estava me tornando exatamente o tipo de homem que sempre odiei.

E talvez…

já fosse tarde demais para voltar atrás.

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