Irina
Meu nome é Irina Petrov. Tenho vinte e dois anos e cresci em um bairro simples de Moscou. Quando tinha quinze anos, me apaixonei por Viktor Sokolov. Durante muito tempo, acreditei que ele era o amor da minha vida.
No começo, Viktor era apenas um homem comum. Trabalhava, fazia planos e dizia que tudo o que fazia era para construirmos um futuro juntos. Eu sabia que ele começava a se aproximar de homens perigosos, mas ele sempre dizia que eram apenas negócios passageiros.
Mesmo assim, permaneci ao lado dele.
Tudo parecia estável até o dia em que descobri que estava grávida.
No início, Viktor demonstrou felicidade. Disse que aquilo era a prova de que nossa família estava crescendo. A casa que estávamos construindo finalmente ficou pronta e, por um tempo, acreditei que tudo ficaria bem.
Mas ele começou a chegar cada vez mais tarde em casa.
As explicações eram sempre as mesmas: reuniões, compromissos, negócios.
Algo dentro de mim dizia que havia outra verdade escondida por trás daquelas palavras.
Uma noite, decidi segui-lo.
Eu não deveria ter feito isso.
Quando cheguei ao clube que ele frequentava, encontrei Viktor com Lorena, uma mulher conhecida por se aproximar de homens influentes e poderosos. Eles estavam juntos, rindo e conversando como se o meu lugar ao lado dele jamais tivesse existido.
Não consegui dizer nada.
Apenas senti as lágrimas escorrerem enquanto compreendia que, naquele momento, meu relacionamento havia terminado.
Voltei para casa em silêncio. Arrumei todas as coisas dele e deixei as malas do lado de fora.
Quando Viktor chegou, porém, ele não foi embora.
Ele entrou furioso.
Viktor:
— Você realmente acredita que pode me expulsar da minha própria casa?
Irina:
— Eu vi você com Lorena. Não ficarei ao lado de um homem que me trai.
Ele riu.
Foi um riso frio.
Então se aproximou de mim e segurou meu pescoço com força. Seus olhos estavam diferentes, sombrios, como se eu estivesse diante de um homem que eu nunca havia conhecido.
Viktor:
— Escute com atenção. Quem decide quando isso termina sou eu. Se você tentar fugir… eu vou encontrar você.
Irina:
— Então faça o que quiser. Eu vou embora.
As palavras mal haviam saído da minha boca quando ele me empurrou contra o chão.
Vieram os golpes.
Um após o outro.
A dor se espalhou pelo meu corpo até que tudo ficou escuro.
Quando abri os olhos novamente, estava em um hospital.
Médica:
— Finalmente acordou.
Irina:
— Há quanto tempo estou aqui?
Médica:
— Uma semana.
Uma semana inteira perdida.
Foi então que ela me contou o que havia acontecido enquanto eu estava inconsciente.
Um confronto havia ocorrido dentro da organização criminosa da qual Viktor fazia parte. O antigo líder havia sido morto.
E agora…
Viktor havia assumido o controle da organização criminosa que dominava grande parte de Moscou.
Naquele instante compreendi que não estava mais lidando apenas com o homem que um dia amei.
Eu estava ligada a um Don.
Irina:
— Por favor… não diga a ninguém que eu acordei.
Médica:
— Isso pode me trazer problemas.
Irina:
— Apenas algumas horas. Depois você poderá avisar quem quiser.
Ela hesitou por alguns segundos antes de concordar.
Passei aquelas horas pensando em apenas uma coisa:
Fugir.
Eu precisava desaparecer antes que Viktor soubesse que eu estava consciente.
Peguei o telefone e liguei para a única pessoa em quem ainda confiava.
Victoria.
Victoria:
— Graças a Deus… achei que você nunca acordaria.
Irina:
— Eu preciso sair daqui. Viktor quase me matou. Não posso permanecer perto dele, ainda mais agora que estou esperando um filho.
Victoria:
— O que você quer que eu faça?
Irina:
— Você conhece aquele motorista que leva os lençóis do hospital para a lavanderia da cidade. Peça para ele me levar até lá. Só isso. Depois eu encontrarei meu próprio caminho.
Victoria ficou em silêncio por alguns segundos.
Victoria:
— Isso é perigoso. Você tem dinheiro?
Irina:
— Tenho cinco mil guardados. Será suficiente por algum tempo. Depois que meu filho nascer, encontrarei algum trabalho. O importante é desaparecer antes que Viktor descubra.
Victoria suspirou.
Victoria:
— Eu vou ajudar você.
Desliguei o telefone sentindo que estava dando o primeiro passo para longe do homem que Viktor havia se tornado.
Eu ainda não sabia para onde iria.
Mas sabia de uma coisa.
Se eu permanecesse ali…
eu morreria.