MAYA
O sol da tarde derramava-se sobre o pequeno parque do bairro, tingindo as folhas das árvores escassas de um verde mais vibrante. Do meu lugar na varanda minúscula – uma sacada de concreto com espaço para duas pessoas se espremerem –, eu observava as crianças brincando. Seus gritos chegavam abafados, um ruído de vida normal, mundano, que tentava, sem sucesso, afogar o turbilhão dentro de mim.
Na minha mão, uma taça de vinho tinto barato. Não era pelo gosto, que era ácido e simples, mas pelo