CAPÍTULO 02

Meu coração simplesmente parou. Principalmente ao ouvir da boca dele e de uma forma tão dominante.

Ele me ajudou a levantar.

Os dedos firmes seguraram minha cintura com facilidade, e por um instante senti meu corpo inteiro perder a força. Ele me colocou de pé devagar, sem tirar os olhos dos meus.

A proximidade dele era absurda.

Quente.

Intimidadora.

Meu coração estava tão acelerado que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir.

— Pode sair agora — disse ele com aquela voz grave que parecia atravessar minha pele inteira. — Você começa imediatamente.

Assenti rápido demais.

— S-sim, senhor.

Ele soltou minha cintura lentamente, mas a sensação das mãos dele permaneceu queimando ali.

E o pior?

Eu gostei.

Gostei demais.

Aquilo deveria me assustar.

Mas só me deixou mais nervosa. Ele voltou para trás da mesa como se nada tivesse acontecido. Como se eu não tivesse acabado praticamente ajoelhada diante dele alguns segundos antes.

Como se ele não tivesse me olhado daquele jeito.

Talvez eu estivesse exagerando.

Talvez aquilo tivesse sido apenas coisa da minha cabeça.

Porque agora ele sequer me encarava novamente.

A postura fria havia voltado.

Elegante.

Controlada.

Distante.

Talvez ele só estivesse sendo gentil.

Talvez aquele clima estranho e sensual tivesse existido apenas para mim.

Saí da sala tentando recuperar o controle da própria respiração.

Assim que fechei a porta atrás de mim, apoiei a mão discretamente na parede do corredor.

Meu Deus.

O que estava acontecendo comigo?

Passei o restante do dia tentando ocupar a mente.

Mas era impossível esquecer o toque firme dos dedos dele no meu queixo.

Ou o jeito como me observava.

Ou aquela voz baixa e dominante que fazia meu estômago inteiro virar.

O calor do Rio de Janeiro também parecia piorar tudo.

Parecia que eu estava derretendo lentamente dentro daquela roupa social barata.

Vi quando ele saiu para o almoço algumas horas depois.

E definitivamente não fiquei olhando.

Ou pelo menos tentei não olhar tanto.

Eu me recusava a parecer aquelas secretárias completamente obcecadas pelo chefe gostoso e rico.

Aquilo era clichê demais.

Além disso…

Eu ainda era virgem.

E só de pensar nisso perto de um homem como Pedro Barcellos meu rosto inteiro queimava.

Passei o dia atolada em tarefas.

Organizei documentos.

Busquei café.

Levei papeladas para outros setores.

Até peguei cafezinho para a atendente do andar, uma mulher loira absurdamente bonita e com curvas impossíveis de ignorar. Peitos enormes para ser exata.

Tudo para tentar me enturmar.

Mas a verdade era que eu ainda me sentia completamente deslocada ali.

Almocei sozinha no próprio andar enquanto observava a cidade pelas enormes janelas de vidro.

O prédio parecia nunca parar.

As pessoas andavam rápido.

Falavam rápido.

Viviam rápido.

E eu parecia pequena demais naquele lugar.

Segundo a atendente, às vezes o expediente ia até oito da noite.

Ou mais.

Quando finalmente o horário começou a esvaziar o andar, eu já estava exausta.

Foi então que a atendente comentou casualmente:

— Antes de ir embora, tenta organizar a sala do senhor Barcellos. Ele odeia bagunça… mas nunca arruma nada sozinho.

Ela riu enquanto me entregava uma chave reserva.

— Ele não volta mais hoje.

Assenti rapidamente.

Entrei na sala tentando ignorar novamente o perfume sofisticado dele ainda presente no ambiente.

Tudo naquela sala parecia carregado da presença dele.

A mesa enorme.

O sofá escuro no canto.

Os papéis espalhados.

A gravata esquecida sobre a cadeira.

Comecei a organizar tudo em silêncio.

Mas o cansaço começou a vencer meu corpo aos poucos.

Minha cabeça latejava.

Minhas pernas doíam.

E eu praticamente não tinha dormido na noite anterior por causa da minha vizinha barulhenta.

Quando terminei quase tudo, me sentei por um instante no sofá do canto da sala.

Só para descansar um pouco.

Só alguns minutos.

O sofá era confortável demais.

Macio.

Gelado por causa do ar-condicionado.

Fechei os olhos sem perceber.

E então dormi.

Não sei quanto tempo passou.

Só lembro de acordar lentamente ao ouvir sons baixos preenchendo a sala escura.

Gemidos.

Respiração pesada.

Meu coração acelerou na mesma hora.

Abri os olhos confusa.

O escritório estava praticamente apagado agora, iluminado apenas pelas luzes da cidade entrando pelas enormes janelas.

Fiquei imóvel no sofá, ainda escondida pela sombra do canto.

Achei que pudesse ser algum funcionário.

Talvez alguém trabalhando até tarde.

Mas então olhei melhor.

E meu corpo inteiro congelou.

Era meu chefe.

Meu chefe estava parado perto da mesa.

Totalmente suado.

Totalmente pelado e exalando uma áurea sensual e erótica, enquanto estava com as mãos firmes no seu pau enorme que estava duro.

Os cabelos bagunçados.

A respiração pesada preenchendo o silêncio da sala. Suas mãos cravadas com firmezas no seu pau, em movimentos de sobe e desce.

Meu coração começou a bater tão forte que achei que fosse passar mal.

Ele parecia não ter percebido minha presença.

A postura dele estava tensa. Ele estava literalmente se masturbando

Como se carregasse o peso do mundo inteiro nos ombros.

Minha respiração ficou presa na garganta.

Eu deveria sair dali. Mas fiquei espiando, ele tinha um volume difícil de ignorar e os gemidos com certeza tornaram minha noite melhor. Prefiro esses gemidos.

Deveria avisar que estava na sala.

Mas meu corpo simplesmente não obedecia.

Então aconteceu. Fiquei observando ele gemer e movimentar seu membro com velocidade e força de vontade. Quando vi o clima ficando mais intenso e ele quase grunhindo de tesão, notei que talvez ele esteja quase gozando e aí ele vai me notar. Fiquei nervosa com isso, ele não poderia me ver, seria humilhante.

Sem querer, movi o braço no sofá.

O pequeno barulho ecoou pela sala silenciosa.

E meu chefe congelou imediatamente.

Meu sangue gelou.

Fechei os olhos na mesma hora.

Pronto.

Eu estava ferrada.

O silêncio que veio depois foi ainda pior.

Pesado.

Quente.

Dominante.

Então ouvi passos lentos se aproximando.

Meu coração disparou tanto que comecei a tremer.

Abri os olhos devagar.

E perdi completamente o ar. Meu chefe estava parado bem diante de mim. Seu pau ainda estava duro e praticamente na minha cara.

Sem qualquer vergonha da proximidade.

Os olhos escuros presos nos meus enquanto a respiração pesada dele preenchia o espaço entre nós.

Meu corpo inteiro travou.

A tensão ao redor dele parecia esmagadora.

Ele me observou por alguns segundos sem dizer nada.

Então inclinou levemente a cabeça.

E perguntou com a voz grave, firme e perigosamente calma:

— O que faz aqui?

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