O silêncio depois daquela pergunta pareceu destruir completamente meu equilíbrio. Eu fiquei completamente sem o que dizer.
Porque o jeito como ele dizia aquelas coisas…
O jeito como me segurava…
Fazia tudo dentro de mim derreter lentamente.
Meus dedos apertaram de leve a camisa dele enquanto tentava encontrar alguma resposta.
Mas minha mente estava vazia.
Tudo o que eu conseguia sentir… era Pedro.
O cheiro dele.
O calor dele.
O olhar dele queimando sobre mim.
E aquilo era assustador.
Porque, pela primeira vez na vida, eu queria parar de ser a garota tímida que sempre controlou tudo.
Pela primeira vez…
Eu queria descobrir como seria perder completamente o controle nos braços de alguém como ele. De conhecer os limites do meu corpo com esse homem escandalosamente sexy e maravilhoso.
Ele acariciou meus cabelos lentamente.
Os dedos dele se perderam entre os fios como se estivesse tentando me acalmar… ou talvez me provocar ainda mais. Eu já não conseguia distinguir nada.
Meu corpo inteiro estava quente.
Sensível.
Fraco.
E quanto mais ele me tocava, mais eu sentia minhas pernas perderem completamente a força.
Então senti os dedos dele subindo devagar pela minha coxa.
Meu coração disparou imediatamente.
A barra da minha saia foi levantada apenas alguns centímetros, mas aquilo pareceu íntimo demais. Proibido demais.
Mesmo assim… eu não consegui reagir.
Não consegui afastá-lo.
Não consegui dizer “não”.
Parecia que eu estava presa dentro de algum sonho erótico absurdo do qual não queria acordar.
Porque, sinceramente…
Quem conseguiria resistir a um homem como Pedro Barcellos?
Quem conseguiria questioná-lo quando ele olhava daquele jeito?
Quando falava daquele jeito?
Quando me tocava como se soubesse exatamente cada ponto sensível do meu corpo?
Eu me deixei levar.
Completamente.
Pedro continuava me segurando firme contra ele enquanto aproximava o rosto lentamente do meu pescoço.
Minha respiração falhou no mesmo instante.
Então ouvi a voz grave dele perto do meu ouvido.
Baixa.
Rouca.
Perigosamente íntima.
— Você é tão inocente…
Meu corpo inteiro arrepiou.
Os lábios dele roçaram de leve minha pele enquanto continuava falando coisas pequenas.
Provocações bobas.
Mas absurdamente excitantes.
Cada palavra parecia atravessar meu corpo inteiro.
Meu peito batia tão forte que chegava a doer.
Minha respiração saía cada vez mais ofegante.
E eu ainda não tinha conseguido responder a pergunta dele.
“Você teria coragem de se entregar a mim?”
A verdade era que eu nem sabia mais pensar direito.
Só conseguia sentir.
Sentir o calor dele.
O cheiro dele.
A voz dele destruindo qualquer capacidade racional que ainda restava dentro de mim.
Pedro passou as mãos pela minha cintura lentamente antes de me levantar com facilidade.
Um pequeno suspiro assustado escapou da minha boca.
Ele me colocou no colo como se eu realmente fosse leve como uma boneca.
Frágil.
Pequena.
E aquilo me deixou ainda mais vulnerável perto dele.
Instintivamente, minhas mãos agarraram os ombros largos dele.
Meu coração estava enlouquecendo.
Pedro caminhou calmamente até o sofá onde eu havia dormido mais cedo.
E me deitou ali com cuidado.
Como se eu fosse algo precioso.
Meu corpo afundou levemente no sofá macio enquanto ele permanecia inclinado sobre mim.
Os olhos escuros presos nos meus.
Meu ar sumiu completamente.
Ele parecia ainda mais bonito daquela distância.
Mais perigoso.
Mais sexy.
A gravata frouxa.
Os cabelos bagunçados.
A expressão intensa.
Tudo nele parecia feito para destruir qualquer defesa que eu tentasse manter.
Meu corpo inteiro tremia enquanto ele aproximava o rosto lentamente do meu.
Meu coração batia tão forte que achei que fosse desmaiar.
Então fechei os olhos.
Esperando.
Porque naquele momento eu tinha certeza de que ele iria me beijar.
E meu Deus…
Eu queria aquele beijo.
Queria sentir a boca dele na minha.
Queria descobrir se seria tão intenso quanto todo o resto nele.
Minha respiração ficou presa quando senti o rosto dele perto o suficiente.
O calor da respiração dele tocava minha pele.
Meu corpo inteiro queimava.
Mas então…
Nada aconteceu.
Franzi levemente a testa ainda de olhos fechados.
Confusa.
Até que ouvi a voz grave dele bem perto da minha boca.
Calma.
Controlada.
— Abra os olhos.
Meu coração falhou uma batida.
Abri os olhos lentamente.
E encontrei Pedro me observando com uma intensidade quase cruel.
O olhar dele parecia diferente agora.
Mais frio.
Mais distante.
Aquilo me deixou imediatamente nervosa.
Ele segurou meu queixo com firmeza enquanto continuava inclinado sobre mim.
— Isso… — começou devagar — é para você aprender a não olhar pessoas em momentos íntimos. Foi só um teste.
Demorei alguns segundos para entender.
Meu cérebro parecia lento demais.
Confuso demais.
E antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa…
A voz dele atravessou a sala como uma sentença.
— Está demitida.
O mundo inteiro pareceu parar.
Meu coração despencou violentamente dentro do peito.
Pisquiei várias vezes sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.
Demitida?
Meu corpo inteiro gelou.
A vergonha veio primeiro.
Depois o choque.
E então uma dor absurda apertou meu peito.
Porque só naquele instante percebi o quanto tinha me deixado envolver por ele.
O quanto tinha acreditado naquele momento.
Naquele toque.
Naquele olhar.
Meu Deus.
Eu tinha sido uma idiota.
Os olhos começaram a arder imediatamente.
Pedro se afastou devagar do sofá enquanto eu permanecia imóvel, completamente sem reação.
O silêncio ficou insuportável.
Pesado.
Humilhante.
Sentei lentamente, tentando recuperar o pouco de dignidade que ainda restava dentro de mim.
Minhas mãos tremiam.
Minha respiração também.
Eu queria falar alguma coisa.
Pedir desculpas.
Perguntar se ele estava brincando.
Mas nenhuma palavra saía.
Porque a expressão dele continuava séria.
Fria.
Dominante.
Como se nada daquilo tivesse afetado ele da mesma forma que afetou a mim.
Baixei os olhos rapidamente para esconder o brilho vergonhoso que começava a surgir neles.
Meu peito doía.
E o pior?
Parte de mim ainda conseguia sentir o calor do corpo dele sobre o meu.
Ainda conseguia lembrar da voz dele no meu ouvido.
Da forma como me segurou.
Da maneira como me olhava.
Aquilo tornava tudo ainda mais cruel.
Levantei devagar do sofá tentando não parecer completamente destruída.
Minhas pernas estavam fracas.
Meu coração também.
Peguei meus óculos com mãos trêmulas enquanto evitava olhar diretamente para ele.
O escritório parecia diferente agora.
Mais frio.
Mais escuro.
Mais vazio.
Como se toda a intensidade dos minutos anteriores tivesse desaparecido de repente.
Mas antes que eu alcançasse a porta…
A voz dele surgiu outra vez atrás de mim.
Baixa.
Grave.
Perigosamente calma.
— Cecília.
Meu corpo inteiro parou imediatamente.
Fechei os olhos por um segundo.
Porque mesmo depois da humilhação…
Mesmo depois da dor…
Meu coração ainda reagia ao ouvir aquele homem dizer meu nome.
Mas mesmo ouvindo meu nome sair da boca dele, continuei andando.
Eu precisava sair dali.
Precisava fugir antes que ele percebesse o quanto tinha mexido comigo.
O quanto eu estava humilhada.
Meu peito doía de um jeito absurdo enquanto caminhava rápido pelo corredor vazio da empresa. O som dos meus saltos ecoava no silêncio da noite, misturado à sensação horrível de vergonha queimando dentro de mim.
Como eu pude me deixar envolver daquele jeito?
Como pude acreditar que aquele homem realmente me queria?
Meus olhos ardiam.
Mas eu me recusava a chorar.
Não por ele.
Não ali.
Apertei com força a bolsa contra o peito enquanto caminhava em direção ao elevador. Minha respiração saía instável e minha cabeça parecia incapaz de organizar tudo o que tinha acontecido naquela sala.
O toque dele.
A voz dele.
O jeito como me segurou.
O jeito como me beijaria…
E então a demissão.
Meu Deus.
Aquilo parecia um pesadelo.
Apertei repetidamente o botão do elevador, tentando controlar o tremor nas mãos.
As portas finalmente começaram a se abrir.
Mas antes que eu pudesse entrar…
Uma mão segurou meu braço com força.
Soltei um pequeno suspiro assustado quando meu corpo foi puxado bruscamente para trás.
E no segundo seguinte minhas costas bateram contra a parede fria do corredor.
Meu coração disparou violentamente. Pedro.
Ele me prendeu entre o corpo dele e a parede, respirando pesado.
Os olhos escuros queimavam sobre mim de um jeito quase enlouquecedor.
— S-senhor…
Eu nem consegui terminar a frase.
Porque ele simplesmente me beijou.
Sem aviso.
Sem espaço para pensar.
O mundo inteiro desapareceu no instante em que a boca dele encontrou a minha.
O beijo começou lento.
Quente.
Profundo.
E completamente diferente de tudo que imaginei.
Meu corpo inteiro estremeceu quando senti os lábios dele se moverem contra os meus com calma, como se estivesse me provando devagar.
Como se quisesse sentir minha reação.
Meu coração parecia incapaz de sobreviver àquilo.
As mãos dele seguraram minha cintura firme contra a parede enquanto eu permanecia completamente sem ar. Eu conseguia sentir um som de gemido baixo entre o beijo.
Era meu primeiro beijo.
E meu Deus…
Eu achei que fosse morrer.
Porque Pedro beijava como fazia tudo.
Com domínio.
Com intensidade.
Como se soubesse exatamente o efeito que causava.
Minhas mãos acabaram segurando a camisa dele sem perceber.
As pernas tremiam.
Minha respiração também.
E quando os lábios dele se moveram mais profundamente contra os meus, um pequeno som escapou da minha garganta. E pra piorar, ele me apertou mais firme.
Aquilo pareceu deixá-lo ainda mais intenso.
O beijo ficou mais quente.
Mais lento.
Mais perigoso.
Senti meu corpo inteiro derreter quando uma das mãos dele subiu lentamente pelas minhas costas, me mantendo presa contra ele. Depois desceu suavemente até chegar a apertar minha bunda.
Meu Deus.
Eu nunca tinha sentido nada parecido.
Nunca.
Quando Pedro finalmente se afastou, minha respiração estava completamente destruída.
Abri os olhos devagar.
E encontrei o olhar dele ainda preso no meu.
Pesado.
Escuro.
Quente.
A testa dele encostou levemente na minha enquanto eu tentava desesperadamente recuperar o ar.
Então a voz grave veio perto demais do meu ouvido.
Baixa.
Dominante.
— Esteja aqui amanhã…
Meu coração disparou outra vez.
Os dedos dele apertaram levemente minha cintura antes de completar:
— Ou eu vou buscar você na sua cama.
Meu corpo inteiro arrepiou.
E antes que eu pudesse entender qualquer coisa…
Ele simplesmente se afastou.
Virou as costas calmamente.
E voltou para a sala como se não tivesse acabado de destruir completamente minha capacidade de pensar.
Fiquei parada no corredor por vários segundos.
Imóvel.
Sem conseguir respirar direito.
Sem conseguir entender absolutamente nada.
O elevador finalmente chegou outra vez.
Entrei quase automaticamente.
Assim que as portas se fecharam, me encostei na parede espelhada atrás de mim.
Minhas pernas estavam fracas.
Minha boca ainda queimava por causa do beijo dele.
Meu coração parecia completamente enlouquecido.
Passei os dedos lentamente pelos próprios lábios enquanto tentava entender o que tinha acabado de acontecer.
O que foi tudo isso?
Por que ele me beijou daquele jeito depois de me humilhar?
Por que parecia tão frio em um segundo… e tão intenso no outro?
E pior…
O que Pedro Barcellos queria de mim?