A oitava manhã chega e com o som da chuva batendo contra as janelas do quarto, um tamborilar constante e monótono que parece lavar o brilho dourado da última semana.
O peso do braço de Dante sobre minha cintura e o seu rosto enterrado em meu pescoço, respirando suavemente deixa tudo, o nosso casamento mais real. Ainda é cedo e um cinza úmido preenche o quarto e por um momento, fico paralisada, tentando segurar a bolha perfeita da nossa lua de mel. Mas a realidade, como a chuva, é insistente.
O celular de Dante, silencioso mas não desligado, vibra sobre a mesa de cabeceira, um breve clarão azul ilumina o móvel de madeira, ele não se mexe, mas sinto seu corpo se tensionar atrás de mim. Ele também estava acordado.
— É a vida chamando — murmura, sua voz áspera do sono, ou talvez de algo mais.
— Podemos ignorar — proponho enquanto me viro para o olhar.
Seus olhos estão abertos, cinzas como o céu lá fora, e já não têm a suavidade despreocupada dos últimos dias. Neles, vejo o estrategist