O quarto da pousada, agora vazio e impessoal, parece suspirar de alívio quando fechamos a porta pela última vez, o ar lá fora, pesado e quente, é uma bênção após dias respirando o mofo do medo e o cheiro ácido do papel destruído. Entramos no carro, e Dante liga o motor, não precisamos falar sobre o destino mesmo porque um só pensamento nos guia: nossa Melissa.
A viagem de volta é um desfazer do caminho que nos trouxe até aqui, a estrada esburacada, o aeroporto regional caótico, o voo anônimo. Desta vez, não há urgência de fuga, apenas a ânsia profunda e latejante de um reencontro, a ansiedade é diferente, não é medo do que está atrás; é o desejo quase doloroso do que está à frente.
Leandro nos encontra no aeroporto de São Paulo, ele está sozinho e o seu rosto está marcado pela fadiga, mas seus olhos estão calmos.
— Está feito — ele diz, um relatório simples.
O material chegou e já está circulando nos canais certos. Vai levar tempo, mas… a máquina começou a se mover e o Almeida está