O amanhecer encontra um quarto de pousada imóvel, iluminado apenas pela luz crua que entra pelas persianas de metal, ninguém dormiu de verdade, Almeida roncava levemente, um som rouco de animal acuado enquanto Dante e eu ficamos acordados, nossas mentes presas no labirinto de papéis que agora é nossa responsabilidade.
Com a primeira luz, a ação retorna e Dante liga para Leandro no telefone seguro. A conversa é curta, Leandro ouve sem interromper, e no final solta um longo assobio baixo.
— Vocês conseguiram, e trouxeram a cobra junto, há uma mistura de admiração e preocupação em sua voz.
Não se movam e fiquem trancados. Eu vou aí ainda hoje.
Dante desliga, o dia será de espera novamente, mas desta vez com um propósito claro e enquanto Almeida toma um banho longo, tentando lavar o sal e a poeira de décadas, Dante e eu começamos, mesmo porque não podemos esperar passivamente.
Espalhamos o conteúdo da mochila na cama, é uma tarefa avassaladora, são documentos em linguagem jurídica seca