O convite para um novo casamento não surge em um momento romântico, mas em uma terça-feira comum, enquanto lavamos a louça do jantar. A água quente escorre sobre meus dedos, e Dante, enxugando um prato, diz, sem cerimônia, como quem comenta o tempo:
— Acho que deveríamos nos casar de novo.
Eu paro, a esponja suspensa sobre uma panela.
— De novo?
— Dessa vez sem ninguém nos observando e sem a sombra de um monstro na porta. Só nós, a Melissa e o Otto.
Olho para ele, para os cantos serenos de seus olhos, para a boca que já não se aperta em uma linha de tensão constante. Ele não está pedindo; está propondo um novo início, um ritual de nossa própria autoria.
— Acho que sim — respondo, e o sorriso que surge em seu rosto vale mais que qualquer cerimônia luxuosa.
O dia amanhece e Melissa recebe a notícia entre uma colherada de cereal e outra.
— Vamos nos casar — Dante anuncia enquanto se serve do café.
Ela mastiga pensativamente, seu olhar analítico indo de um para o outro. — De verdade? Co