A declaração de Dante paira no ar como um gás inflamável no escritório de Viktor. "O jogo acabou." Três palavras que rasgam o véu de décadas de parceria, de mentiras compartilhadas, de um império construído sobre ossos.
Viktor não se agita, apenas se recosta na cadeira de couro, os dedos entrelaçados sobre a mesa polida. Seu sorriso agora é uma coisa calculada, ele nos estuda, claramente com um desdém controlado.
— Termos tão definitivos, Dante. "Jogo". "Acabou". Parece linguagem de faroeste barato. Nós construímos uma holding farmacêutica, não jogamos pôquer em um salão. — Seu olhar azul se desvia para mim, um raio laser de desprezo. — E você trouxe sua… consorte para este desfecho dramático, que comovente.
Ignoro o insulto e me mantenho ao lado de Dante, minha postura tão rígida quanto a dele. A bolsa com o sumário do dossiê pesa no meu ombro como uma âncora de verdade.
— A dramática é a sua farsa, Viktor — digo, a voz surpreendentemente estável. — A que matou pacientes, a que matou