O amanhecer vem preguiçoso, e a cama ainda é um território quente do nosso desejo, da nossa entrega, do nosso prazer. Ao meu lado, Dante tem o braço sobre os olhos, a respiração é profunda do último resquício de sono. A preguiça é um acordo tácito — adiar o mundo, fingir que ele não existe.
O mundo, porém, tem outras ideias.
O som do celular não é um toque, é uma intrusão, um corte limpo no frágil estado de graça. Dante suspira, um suspiro que carrega o peso de todas as responsabilidades, e es