A neutralização de Torres deixa um vácuo carregado. Nos dias que se seguem, a mansão respira diferente. Os novos seguranças, homens de olhos atentos e poucas palavras contratados por Dante através de um canal blindado, são fantasmas eficientes. Mas a ausência do chefe anterior, a sua saída súbita em “férias indefinidas”, paira como um gás inodoro e tóxico, todos sentem e ninguém comenta.
Viktor, como um sismógrafo, registra o tremor, e a sua resposta não é um terremoto, mas um ajuste de pressão. As comunicações de Sofia se tornam mais frequentes, mais ansiosas, com certeza ele a pressiona por informações sobre “reações à saída do Torres”, sobre “mudanças no humor do Dante”. Ela, nossa pobre agente dupla, passa as informações inócuas que nós fornecemos, temperadas com um leve suor de medo digital que eu consigo ler entre as linhas.
Dante lida com a pressão como granito, o que sempre me surpreende, agora ele acelera os planos. O evento de caridade do Instituto Neurológico Nacional, u