A vitória sobre Sofia tem gosto de cinza, não é doce, é metálico, frio, é como engolir uma moeda, consigo, mas deixa um rastro sujo na garganta. Dante a chama de ativo descartável, e a frieza da frase me persegue pelos corredores silenciosos da mansão. Eu a vi, Sofia. Vi o medo cru nos seus olhos quando as máscaras caíram, não era só medo de Viktor, ou de Dante, era medo de mim, do que eu me tornei. A mulher que entrou no seu santuário terapêutico e trocou curas por chantagem.
Melissa sente a mudança, ela não desenha mais a cena da terapia, nos dias que se seguem, seus rabiscos são abstratos: redemoinhos de lápis preto, formas angulares que se chocam, borrões de cores primárias misturadas até virar marrom. É um barulho visual. O eco do conflito que plantamos no único espaço que era só dela.
Dante, por outro lado, está transformado. A conquista de Sofia — a minha conquista de Sofia — é como uma injeção de nitrogênio líquido em suas veias. O seu gelo estratégico agora tem um brilho afia