A palavra de Melissa ecoa na casa por dias. “Juntos”. Ela não a repete, mas a carrega consigo, num novo jeito de andar, de nos observar à mesa, de desenhar. Os desenhos mudam, as figuras de palito não estão mais isoladas em quadrados, agora estão lado a lado, muitas vezes de mãos dadas. Às vezes, ela desenha um sol amarelo sobre elas, às vezes, uma nuvem preta com um rosto sorridente e dentes pontiagudos – Viktor – pairando ao longe, mas sempre separado por uma linha grossa.
A palavra também reconfigura o espaço entre Dante e eu e a tensão sexual não desaparece, se estabiliza, transformando-se em uma corrente subterrânea, constante, que alimenta tudo. Um toque na cintura ao passar no corredor, um beijo roubado na cozinha antes do amanhecer, quando a casa ainda dorme. A mão dele na minha nuca durante uma reunião por vídeo, um gesto de posse e apoio que me faz queimar por dentro.
Mas além do desenho, há a parceria, Dante me consulta sobre tudo, estratégias financeiras, movimentos no c