O despertador não toca. Meus olhos se abrem às 5:15, como se um instinto afiado pela tensão tivesse assumido o comando. A escuridão está carregada com o silêncio da espera. O tique-taque do relógio é um metrônomo vazio.
Visto roupas escuras. O casaco de Dante ainda está sobre a poltrona. Visto-o. O tecido pesado, agora frio, ainda carrega a memória do seu cheiro e do gesto que o colocou ali. É uma armadura.
Saio do quarto em silêncio. A mansão dorme, mas sua paz é ilusória. A lembrança de Torres na guarita me faz escanear cada sombra.
Dante já está no hall de serviço, perto da porta dos fundos e também veste escuro. Parece não ter dormido, há uma frieza nova em seus traços, mas nossos olhos se encontram e um entendimento rápido passa entre nós. O que foi dito no carro está agora lacrado sob a superfície, transformado em combustível.
— Nenhum sinal ainda — sussurra, a voz rouca.
Às 5:32, um farol pisca duas vezes além do portão, meu coração dispara. Dante aciona o comando.
Um veículo u