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CAPÍTULO 16: O COVIL DO LEÃO

O silêncio dentro do carro é uma terceira pessoa. Ele se senta entre Dante e eu, espesso, carregado do que foi dito no sítio do Leandro e do que está por vir. Seu casaco ainda está em meus ombros. O peso do tecido, o seu cheiro residual — madeira, couro, e o resíduo seco e amargo de uísque caro — me envolve como um segundo pacto, mais íntimo e mais perigoso que o primeiro. Meus dedos, escondidos nas mangas compridas, tocam a borda úmida onde a chuva respingou. A memória de seus dedos ajustando o cinto, aquele choque elétrico, ainda faz um zumbido baixo nos meus nervos.

Dante dirige. As mãos dele firmes no volante são as mesmas que assinaram o contrato, que entregaram o relógio, que cobriram meus ombros. O perfil dele é uma escultura de granito sob a luz fugaz dos postes que riscam a estrada escura de volta para a cidade. A tensão não sai dele; apenas se transforma, torno-se uma energia concentrada, afiada, pronta para ser disparada.

— O Leandro vai conseguir? — pergunto, quebrando o s
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