O silêncio dentro do carro é uma terceira pessoa. Ele se senta entre Dante e eu, espesso, carregado do que foi dito no sítio do Leandro e do que está por vir. Seu casaco ainda está em meus ombros. O peso do tecido, o seu cheiro residual — madeira, couro, e o resíduo seco e amargo de uísque caro — me envolve como um segundo pacto, mais íntimo e mais perigoso que o primeiro. Meus dedos, escondidos nas mangas compridas, tocam a borda úmida onde a chuva respingou. A memória de seus dedos ajustando