A fúria é um animal vivo dentro do meu peito, arranhando por sair. Subo as escadas da mansão dois degraus de cada vez, o desenho de Melissa apertado na minha mão até o papel ficar úmido e quente.
O som do telefone do Dr. Elias ainda ecoa nos meus ouvidos — incêndio elétrico, muito específico, muito pontual — e cada sílaba alimenta as chamas que me consomem por dentro. Viktor tocou na linha de vida da minha irmã. E sorriu enquanto o fazia.
A porta do escritório de Dante está fechada. Bato e empurro.
Ele está de pé diante da lareira apagada. Não se vira, mas os ombros sob a camisa se tensionam. Sente a tempestade.
Atravesso o cômodo e jogo o desenho sobre a mesa de mármore. O som é seco.
— Sanatório São Gerardo — digo, minha voz áspera. — É onde está o auditor. O homem que pode enterrar o Viktor.
Ele se vira. Seus olhos vão para o desenho, depois para mim. Há fadiga, mas também respeito diante da minha fúria.
— E como sugere que procedamos? — pergunta, com um fio de sarcasmo.
— Chegamo