A paz é uma ilusão frágil neste mundo. Ela se quebra numa terça-feira comum, no meio da tarde, com um toque de celular.
Estou na sala de estar, revisando um relatório de segurança sobre os horários da enfermeira de Lara, quando meu telefone pessoal toca. É o Dr. Elias. Seu nome na tela já é um mau presságio.
— Clara — a voz dele soa seca, cortada, sem o tom calmo habitual. — Houve um incidente. Na Clínica Vitalis, onde Lara faz fisioterapia respiratória duas vezes por semana.
O ar sai dos meus pulmões. — Ela está bem? Onde ela está?
— Ela está bem. Fisicamente. Ela não estava lá. O incidente parece que foi … dirigido.
— Dirigido? — repito, a palavra ecoando oco na minha mente.
— Um curto-circuito. No quadro de energia que alimenta exclusivamente a sala de fisioterapia e a farmácia adjacente. Os equipamentos de última geração, o nebulizador de alta pressão que ela usa… tudo foi queimado. A sala está completamente destruída. O fogo foi contido, mas… — Ele faz uma pausa, e ouço-o engolir