Mundo de ficçãoIniciar sessão— Vai — ele respondeu, mantendo um tom firme e controlado, como um general diante de suas tropas, uma figura ameaçadora e, ao mesmo tempo, protetora.
— Porque agora você corre perigo. As letras se impunham na conversa com uma aterradora certeza que deixava pouco espaço para dúvidas. — O olhar fixo de Matteo transmitia que suas palavras eram a verdade crua, capaz de engolir aqueles que hesitavam em sua presença. — Perigo por quê? — ela desafiou, sua voz carregada de indignação. — Porque fiz a coisa certa? — Aquela frase ecoou em seu espírito enquanto se questionava se realmente havia uma “coisa certa” a ser feita em um mundo tão permeado de traições e conflitos, onde as linhas entre o bem e o mal se tornavam cada vez mais borradas. Ela lembrava-se de sua avó, uma mulher forte que sempre dissera para ela não subestimar os perigos da lealdade familiar; agora, essas palavras soavam como um aviso rudemente pertinente. — Porque eu vou descobrir quem sequestrou meu filho — Matteo afirmou, sua voz gélida e penetrante, cada sílaba como um golpe de um martelo em uma bigorna. Os músculos de seu rosto estavam tensos, e os olhos brilhavam com uma intensidade que corria além da raiva; era uma fusão devastadora de desespero e determinação. — E aqueles responsáveis por isso serão eliminados. —Quando isso acontecer, qualquer um relacionado a esta noite se tornará um alvo, especialmente você. Paloma sentiu um calafrio percorrer sua espinha, uma sensação tão palpável que quase a fez hesitar, mas não recuou. Seu coração batia acelerado, cada pulso um lembrete de que o confronto com Matteo não era apenas uma troca de palavras, mas um jogo mortal de intimidações. — Isso não tem nada a ver comigo — insistiu, embora a certeza em sua voz começasse a vacilar. — Agora tem — ele retrucou, incisivo, como um lutador que tinha visto o adversário vacilar. — E sua avó também. Ela engoliu em seco, um misto de preocupação e bravura tomando conta dela, suas mãos se fechando em punhos apertados. — Principalmente se você estiver ligada aos De Lucca — acrescentou ele, com um ar ameaçador, cada palavra ele podia sentir como se cortasse o silêncio tenso entre eles, preparando o terreno para um aviso que poderia mudar o curso de suas vidas. Indignada, Paloma o encarou com firmeza, como se sua determinação fosse uma armadura contra a hostilidade que emanava dele. — O que você está insinuando? — Que minha família é mafiosa? — As palavras saíram carregadas de incredulidade, mas também revelavam um abalo em sua autoconfiança, como se um abismo de revelações obscuras estivesse prestes a se abrir sob seus pés. Matteo manteve seu olhar firme, desafiador, sem vacilar. — Não, mas sua família serve à família De Lucca. — Ele fez uma pausa deliberada, permitindo que as palavras pairassem no ar, cada sílaba impregnada de uma verdade inescapável que ela parecia relutante em encarar. — Se os De Luccas souberem que você está aqui, que teve contato comigo e com meu filho... eles podem querer te capturar, como fazem com aqueles que ameaçam seus interesses. — O ar parecia rarefeito, pesado por uma tensão angustiante que quase parecia palpável, como uma tempestade prestes a eclodir. — Eu não sirvo a ninguém — Paloma rebateu, sua voz firme e resoluta, como uma rocha na beira do mar. — Apenas cuido da minha avó, e vim atrás de emprego nesse restaurante, só isso, e minha lealdade é com ela, não com qualquer organização criminosa. Contudo, uma pequena voz dentro dela murmurava dúvidas, questionando se realmente poderia proteger sua avó nesse mundo sombrio de traições e alianças perigosas. — Matteo inclinou ligeiramente a cabeça, como se reconhecesse uma verdade parcial que ele mesmo hesitava em aceitar. A atmosfera ao redor dele era carregada de tensão, e em seus olhos era possível ver um lampejo de empatia que contradiz a dureza de seu exterior. — Talvez você não saiba — disse ele, em um tom mais suave, revelando um vislumbre de preocupação que parecia quase sincero. — Mas eles sabem quem você é, Paloma, e isso pode ser uma sentença de morte. — Não é apenas sobre você; é uma questão de sobrevivência, de guerra entre níveis subterrâneos de poder que muitos preferem ignorar. A menção daquele conhecimento lhe dava um peso ainda maior, como se um manto de responsabilidade tivesse sido jogado sobre seus ombros. — Ele hesitou por um instante, estudando suas expressões; em seus olhos, ele via a luz de alguém que se recusava a se deixar dominar pelo medo. Lorenzo apertou fortemente a mão de Paloma, sua fragilidade contrastando com a gravidade da situação. — Não deixa eles pegarem ela, papai... — sua voz, embora baixa, carregava uma intensidade que falava de uma inocência ameaçada. Era um desespero alimentado pela instabilidade ao redor, como um sólido monte de areia prestes a desmoronar com a menor provocação. — Ele olhava para Matteo buscando não apenas proteção, mas uma promessa de que fariam o que fosse preciso para mantê-la segura. Um brilho suave passou pelo olhar de Matteo naquele momento, como uma chama tênue de humanidade em meio ao caos. — Ele estava ciente do peso que havia sobre eles, e a urgência da situação instigava um lado dele que poucos conheciam. — Ninguém vai pegar você — disse ao filho, tentando transmitir confiança, mesmo que a voz lhe falhasse em um momento tão crítico. — E nem ela, essa batalha não é a dela; somos nós que devemos cuidar dela, e faremos isso juntos, custe o que custar. Paloma respirou fundo, ciente de que, independentemente de sua vontade, naquela noite havia tomado um rumo irreversível. — Eu só vou entrar nesse carro — disse, finalmente, sua voz ecoando com uma determinação escassa, mas inabalável — porque ele está machucado, e ele me pediu, não porque você está mandando... Apenas por isso, não se deixe enganar por suas palavras; meus sentimentos são claros e minha posição é firme. — Não sou uma peça desse jogo, apenas uma mãe protetora disposta a fazer o que for necessário para garantir a segurança do que mais amo. Matteo assentiu uma única vez. — Isso é suficiente. — Às vezes uma só decisão é capaz de mudar o curso da história, e eu estou aqui para garantir que ela seja a certa para todos nós. As portas do carro abriram, enquanto Paloma entrava, segurando a mão de Lorenzo, o mundo que conhecia ficou para trás, uma memória distante diluindo-se na escuridão à medida que se afastavam. — Uma única e incômoda certeza atormentava sua mente: ela não estava apenas salvando o filho de um homem perigoso; tornara-se, sem querer, parte do epicentro de uma guerra que estava prestes a se desdobrar em cada esquina. A partir daquele momento, não havia mais como voltar atrás. — O que antes parecia apenas um ato de compaixão agora se transformava em um delicado jogo de xadrez, onde cada movimento poderia significar a diferença entre vida e morte.






