RYDER
A sala de estar da casa da Chloe é menor do que eu lembrava. Ou talvez seja o peso no meu peito que a faz parecer apertada demais. O ar ali dentro é denso, carregado de algo antigo e mal resolvido. Um nó se forma no meu estômago assim que a vejo — a mesma sensação ruim, familiar, como se meu corpo reconhecesse o perigo antes da minha mente.
Savannah está ao meu lado. Consigo sentir o desconforto dela sem que diga uma palavra. A forma como os ombros estão tensos, a mão fria presa à minha. Aperto os dedos dela com cuidado, um gesto silencioso de estou aqui.
Chloe mudou.
O cabelo preto, que sempre foi longo desde que a conheci, agora cai apenas até os ombros. Há fios brancos misturados ali, discretos. O rosto, antes suave, ganhou algumas rugas ao redor dos olhos — marcas do tempo… ou da vida. Ela está mais magra. E os olhos azuis… aqueles olhos que um dia me pareceram doces e seguros agora são frios, duros. Amargos.
Ela permanece de pé no meio da sala, braços cruzados, postura defen