Mundo ficciónIniciar sesiónAs palavras de Sofia e Camila continuaram ecoando, mas Eliza as transformou em combustível. Durante as 48 horas seguintes, ela mal descansou. Revisou prontuários, estudou casos raros na biblioteca do hospital e garantiu que cada um de seus pacientes recebesse um cuidado impecável. Pelos corredores, ela passava pelas rivais com a cabeça erguida, respondendo às provocações apenas com um aceno profissional.
Sua determinação não passou despercebida por Gabriel, que a observava de longe, admirando a resiliência daquela mulher que era muito mais que apenas um rosto bonito no hospital. O Caso 402: O Enigma Na quarta-feira, o bipe de Eliza tocou com urgência. No setor de emergência, uma paciente de 19 anos, Luna, havia acabado de dar entrada com um quadro clínico inexplicável: desmaios constantes, arritmia severa e uma paralisia parcial que ia e vinha. Gabriel já estava lá, analisando os exames com o cenho franzido. — Os exames de imagem estão limpos, mas o coração dela está falhando. Não faz sentido para a idade dela — ele disse, sem desviar os olhos das telas. Eliza se aproximou, analisando o histórico familiar que acabara de colher com a mãe da jovem. — Dr. Vance, notei algo no relato da mãe. Luna esteve em uma expedição de biologia em uma área isolada há dois meses. Todos focaram em problemas cardíacos genéticos, mas e se for uma toxina rara que mimetiza uma doença degenerativa? Gabriel finalmente olhou para ela. O brilho de desafio em seus olhos encontrou a inteligência dela. — Uma neurotoxina? Isso exigiria um protocolo de filtragem sanguínea que o hospital raramente usa. Se estivermos errados, o procedimento pode ser fatal. — Eu confio na minha análise — Eliza disse, firme. — E confio nas suas mãos para o procedimento. Eles passaram as próximas dez horas confinados na unidade de terapia intensiva e, posteriormente, no centro cirúrgico. Era uma dança de precisão. Gabriel operava as máquinas complexas enquanto Eliza monitorava cada micro-oscilação nos sinais vitais de Luna. Em um momento crítico, a pressão de Luna despencou. — Estamos perdendo ela! — gritou uma enfermeira. Gabriel hesitou por um milésimo de segundo, mas Eliza colocou a mão sobre a dele, estabilizando-a. — Continue, Gabriel. O antídoto vai fazer efeito. Só mais trinta segundos. Ela começou a contar em voz alta, de forma calma e constante. No segundo 28, o bip do monitor se estabilizou. O coração de Luna voltou ao ritmo normal. Eles haviam conseguido. Exaustos e ainda com as roupas cirúrgicas, eles saíram para o corredor vazio às quatro da manhã. A adrenalina estava baixando, dando lugar a uma conexão profunda. — Você salvou aquela menina, Eliza — Gabriel disse, encostando-se na parede fria. Ele parecia vulnerável pela primeira vez, o cansaço quebrando sua armadura de "perfeito". — Se você não tivesse insistido naquela teoria... — Nós salvamos — ela corrigiu, sorrindo cansada. — Formamos uma boa equipe. Ele se aproximou lentamente, encurtando o espaço entre eles. O silêncio do hospital vazio parecia amplificar o som de suas respirações. Gabriel levou a mão ao rosto de Eliza, afastando uma mecha ruiva que havia escapado da touca cirúrgica. — Uma equipe excelente — ele sussurrou, o olhar descendo para os lábios dela.






