Mundo ficciónIniciar sesiónO sucesso do caso de Luna se espalhou pelo Saint Jude. Até mesmo o diretor do hospital parabenizou a dupla. Mas, para Eliza e Gabriel, o maior prêmio não foi o reconhecimento profissional, mas o olhar que trocaram no final do turno.
— Sem jalecos, sem bipes e, definitivamente, sem café de máquina — disse Gabriel, encostado na porta do vestiário enquanto Eliza se preparava para sair. — Jantar hoje? Conheço um lugar que parece flutuar sobre a cidade. Eliza sorriu, sentindo um frio na barriga que nenhuma cirurgia jamais causara. — É um encontro, Dr. Vance? — O encontro mais importante da minha agenda, Dra. Martins. Gabriel a levou ao Skyline, um restaurante no terraço de um dos prédios mais altos da metrópole. A vista era de tirar o fôlego: um mar de luzes urbanas que parecia infinito. Desta vez, Eliza deixou os cabelos ruivos soltos, caindo em ondas sobre o vestido verde esmeralda que realçava seus olhos. Gabriel, em um terno cinza sob medida, parecia ter saído de uma capa de revista, mas o que realmente chamava a atenção de Eliza era a forma como ele a olhava — não como uma residente talentosa, mas como uma mulher fascinante. — Sabe — começou Gabriel, girando o vinho na taça — eu passei anos focado apenas em ser o melhor. Achei que se eu me envolvesse com alguém, perderia minha precisão. Mas trabalhar com você me mostrou que a paixão não atrapalha a medicina... ela a torna humana. Eliza sentiu o coração acelerar. — Eu sentia o mesmo. Tinha medo de que, por ser ruiva e jovem, ninguém me levasse a sério se eu mostrasse meus sentimentos. Mas com você, eu sinto que posso ser as duas coisas: uma médica brilhante e... eu mesma. Ele a olhou seriamente, mas com olhos suaves cheios de admiração e disse: — Eliza eu te admiro muito como pessoa, e excelente profissional que é.. nunca permita esconder seu verdadeiro eu e se rebaixar a ninguém, por medo do que irão pensar ou falar, mantenha sempre a cabeça erguida e postura determinada. Ela assentiu, e retribuiu o conselho com um sorriso grato e sincero. O restaurante tinha uma pequena pista onde uma banda de jazz tocava suavemente. Gabriel estendeu a mão. — Me concede essa dança? No meio da pista, com a cidade aos seus pés, ele a puxou para perto. A mão dele em sua cintura era firme e quente. Eliza apoiou a cabeça no ombro dele por um momento, sentindo o perfume amadeirado de Gabriel. Quando a música diminuiu, eles pararam, os rostos a centímetros de distância. — Eu queria fazer isso desde o primeiro dia no corredor 4 — ele sussurrou. Eliza soltou um suspiro, sentindo seu corpo estremecer. E ali, sob o luar e as luzes da cidade, Gabriel a beijou. Foi um beijo que começou lento, carregado de todo o desejo reprimido e do respeito que construíram, tornando-se intenso e profundo. Naquele momento, o Hospital Saint Jude e as rivais invejosas pareciam estar em outro planeta.






