O ar de Zurique era gélido e cortante, um contraste brutal com o calor tropical que haviam deixado para trás. Sob o céu cinzento da Suíça, os dois casais não eram mais os herdeiros de um império médico ou designers de moda famosos; eram fantasmas.
Alojados em um sótão industrial convertido no bairro de Oerlikon, eles operavam sob identidades falsas providenciadas pelos contatos mais sombrios de Otávio. Gabriel era agora um pesquisador belga, e Eliza, sua assistente técnica.
Sobre uma mesa de metal, um holograma da Clínica Criogênica Aeterna flutuava, revelando um complexo cavado diretamente nos Alpes.
— A segurança é biométrica e térmica — explicou Otávio, apontando para os níveis inferiores. — O andar -4 é onde os "pacientes de longo prazo" são mantidos. É lá que a Helena está. A pressão atmosférica lá embaixo é controlada; qualquer alteração no oxigênio dispara um protocolo de incineração.
— Eu conheço esse sistema — disse Gabriel, os olhos fixos na planta. — É o mesmo que eu