O Palácio da Justiça parecia um mausoléu de mármore, frio e impiedoso. Seis meses haviam se passado desde a noite do blecaute no Saint Jude. Gabriel e Eliza, carregando o pequeno Arthur nos braços — agora saudável e forte —, caminhavam pelo corredor ladeados por Otávio e Rebeca.
Rebeca usava luvas de seda preta para esconder as cicatrizes das queimaduras, mas a forma como ela segurava a pasta de documentos mostrava que a fisioterapia estava vencendo a batalha. Otávio, como assistente de acusação, estava impecável em seu terno cinza, mas seus olhos guardavam a frieza de quem estava ali para dar o veredito final.
No banco dos réus, o contraste era absoluto. Eduardo Cavalcanti exibia um sorriso arrogante, como se o tribunal fosse apenas mais um de seus palcos. Lara estava pálida e silenciosa, enquanto o Dr. Arantes evitava olhar para Gabriel, mantendo a cabeça baixa.
Quando Eduardo foi chamado ao banco, o clima na sala pesou. Ele não tentou se defender; ele tentou destruir.
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