Quando Otávio atravessou as portas automáticas do Saint Jude, ele parecia um espectro. Suas roupas estavam rasgadas, manchadas de lama e sangue, e o curativo em suas mãos estava empapado. Ele ignorou os olhares dos enfermeiros e subiu direto para a ala de recuperação.
Ele esperava encontrar Rebeca sentada na poltrona ao lado de Eliza, trocando confidências ou talvez dormindo. Mas, ao chegar ao quarto 1004, encontrou apenas Gabriel, que vigiava o sono de Eliza.
— Cadê ela, Gabriel? — Otávio perguntou, o coração disparando com um mau pressentimento. — Onde está a Rebeca?
Gabriel levantou-se lentamente, a expressão sombria que Otávio conhecia bem demais. Era o rosto do médico que tem notícias difíceis para dar.
— Ela está na unidade de tratamento de queimados, Otávio. Eu tentei te avisar, mas você não atendia o rádio.
— O quê? Ela disse que estava bem! Ela disse que eram só ferimentos superficiais!
Gabriel colocou a mão no ombro do amigo e o conduziu pelo corredor.
— Rebeca mentiu