O asfalto da Rodovia dos Bandeirantes brilhava sob uma chuva fina e persistente, refletindo as luzes distantes da cidade que ficava para trás. Otávio pisava fundo em seu sedã esportivo, o motor rugindo a cada troca de marcha. Seus olhos alternavam entre a estrada escura e o ponto vermelho no tablet que indicava a localização da ambulância roubada por Lara.
Ela estava a menos de dois quilômetros.
Otávio avistou as luzes traseiras da ambulância. Ela ziguezagueava pela pista, em uma velocidade suicida. Lara não estava apenas fugindo; ela dirigia com o desespero de quem não tem nada a perder.
— Você não vai escapar, Lara. Não depois do que fez com a Rebeca — rosnou Otávio para si mesmo.
Ele emparelhou o carro com a ambulância. Através do vidro enevoado, ele viu o rosto de Lara, iluminado pelo painel do veículo. Ela não parecia assustada; ela parecia em transe, um sorriso maníaco distorcendo suas feições enquanto ela jogava o volante bruscamente para a esquerda, tentando tirar Otávio