O quarto da UTI neonatal estava mergulhado em um silêncio artificial, quebrado apenas pelo bipe rítmico e reconfortante dos monitores. Gabriel não havia saído do lado dela. Ele ainda usava o pijama cirúrgico, agora amassado, e seus olhos carregavam olheiras profundas de quem encarou o abismo e sobreviveu.
Eliza sentiu o peso nas pálpebras antes de conseguir abri-las. O cheiro de antisséptico e o som dos aparelhos a trouxeram de volta à realidade num solavanco de memória. A última imagem que tinha era o rosto gélido de Lara e a dor lancinante.
— Gabriel... — a voz dela saiu como um sussurro seco, arranhando a garganta.
Ele despertou instantaneamente, segurando a mão dela com uma força que misturava alívio e medo.
— Eu estou aqui, meu amor. Eu estou aqui. Não tente se mexer, você passou por uma cirurgia difícil.
Os olhos de Eliza percorreram o quarto com desespero, focando no abdômen agora enfaixado e vazio. O pânico subiu como uma maré.
— O bebê... Gabriel, cadê o nosso filho? Po