A cidade estava mais silenciosa do que de costume naquela noite. O vento cortava as ruas estreitas, carregando o cheiro de chuva que ainda se acumulava nas calhas enferrujadas. Eu voltava tarde da biblioteca, abraçando contra o peito um pequeno maço de livros que a coordenadora havia me emprestado. Era a única rotina que me restava, o único lugar onde eu ainda podia fingir que era apenas Marina, a jovem comum de óculos grandes e cabelo curto.
Mas nem mesmo os livros conseguiam abafar o barulho